Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - A economia brasileira fechou mais de 100 mil postos de trabalho com carteira assinada no mês passado, no primeiro corte registrado em meses de janeiro desde 1999.

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, foram fechados 101.748 postos de trabalho com carteira assinada, após o corte de mais de 650 mil postos em dezembro de 2008 como reflexo da crise financeira mundial.

"O comportamento desfavorável do emprego em janeiro, além de refletir a influência de fatores sazonais, assinala a continuidade dos desdobramentos da crise internacional", destacou o ministério em comunicado nesta quinta-feira.

A indústria da transformação e o comércio foram as maiores contribuições para a queda.

Em janeiro de 2008, a economia brasileira tinha criado 142.921 postos de trabalho formal.

A queda registrada no mês passado, além de ser a primeira para meses de janeiro desde 1999, é também o pior saldo negativo de janeiro desde pelo menos 1996.

O governo, entretanto, fez uma análise positiva do indicador.

Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, há sinais de que o pior da crise já passou, pois oito Estados tiveram saldos positivos no emprego e alguns setores da economia responderam melhor do que o previsto, como os de calçados e borracha, construção civil e serviços.

LUPI VÊ MELHORA À FRENTE

As maiores perdas ocorreram em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde a indústria está concentrada.

"Esse dado é o maior demonstrativo de que teremos um dezembro muito ruim e janeiro e fevereiro fracos, começando a reagir em março", disse o ministro a jornalistas.

Segundo Lupi, fatores como o aumento do salário mínimo e os incentivos do governo à construção civil e à indústria automotiva farão com que o mercado de trabalho brasileiro volte a se aquecer. O ministro aposta também no aumento da atividade agrícola nas regiões Sul e Centro-Oeste, assim como no fim dos estoques da indústria.

"Começa a haver um sinal de reação à crise. Nenhum país do mundo consegue ter um número de contratações como o Brasil em uma crise", acrescentou o ministro, citando as 1.216.550 admissões registradas no primeiro mês do ano. As demissões totalizaram 1.318.298.

Lupi reafirmou que trabalha com a meta de geração líquida de 1,5 milhão de postos de trabalho formais este ano. Em 2008, o indicador foi de 1,4 milhão.

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