Brasil não sentirá impacto pelas perdas agrícolas em Santa Catarina

Os produtores de arroz, banana, hortaliças e os criadores de gado leiteiro foram os que tiveram maiores perdas com alagamentos e deslizamentos de terra depois das fortes chuvas em Santa Catarina. Para Sérgio Luis Zampieri, chefe do Ipagri-Ciram, instituto de pesquisa agroambiental de Estado, as perdas agrícolas vão ter reflexos econômicos apenas para a própria região.

Samanta Dias, repórter do Último Segundo |

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Regionalmente, pensando em hortaliças, que são produtos mais perecíveis, por uns 15 dias vamos ter reflexos nos preços. Já sentimos isso nas áreas não afetadas, como aqui nos supermercados de Florianópolis, mas não haverá repercussão no País por causa das perdas agrícolas das regiões afetadas pela chuva, apenas de modo regional, analisa Zampieri.

Ele acredita que os estoques existentes e a produção dos outros Estados não permitirão que as demais regiões do País sofram com a perda de arroz ou com a queda de produção de leite catarinenses.

As plantações de arroz não são tradicionalmente atingidas por alagamentos quando há chuvas fortes, mas desta vez, de acordo com o professor Antônio Uberti, do setor de classificação de solos da Universidade Federal de Santa Catarina, foram praticamente eliminadas. Não haverá colheita nesta safra, só na safra que vem. Os produtores terão de esperar a água baixar e começar a mexer na terra de novo somente em agosto do próximo ano, para começar a plantar em setembro ou outubro, calcula.

Sérgio Luis Zampieri explica que no caso do arroz, que em Santa Catarina é plantado em áreas irrigadas, em terrenos planos e de baixa altitude, os produtores tinham o hábito de colher duas safras por ano e, com as chuvas deste ano, terão de plantar uma safra apenas.

Para o professor Antônio Uberti, as lavouras de cebola e fumo também sofreram com as chuvas e podem perder áreas de plantio depois dos deslizamentos. As culturas de cebola e fumo foram muito atingidas. São plantações pouco protetoras do solo, o impacto da água nesses terrenos é direto. Onde houve desmoronamento ninguém vai conseguir plantar mais, são lavouras irrecuperáveis, comenta o professor, que também lembra que em muitos lugares o solo começou a ser usado fora da aptidão recomendada, que era a preservação da mata.

O solo dessa região do Estado é muito argiloso, muito pobre, tem problemas com excesso de água. Agora ele alcançou um estado de fluidez, ficou como água. O solo começou a ser usado fora da aptidão dele, que era para mata e não para agricultura. O solo das encostas é sistema frágil, mal manejado pelos produtores, não era indicado fazer lavoura nesses locais, de nenhum tipo, afirma Uberti.

Zampieri também avalia que houve um plantio desordenado nas encostas da região litorânea de Santa Catarina e que nem toda essa área voltará a ser agricultável. Segundo ele, alguns lugares vão ter de ser recuperados ambientalmente, com vegetação nativa, recompondo as espécies, não é coisa para pouco tempo.

Além disso, Sérgio Zampieri acredita que este é um bom momento para que as sociedades catarinense e brasileira possam repensar como estão ocupando o solo e por que foram cometidos erros a ponto de acontecer este problema em Santa Catarina.

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