SÃO PAULO - Pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz em São Paulo anunciaram, nesta terça-feira, o sequenciamento integral de uma variedade do vírus da gripe suína (http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/04/30/oms+decide+mudar+nome+da+gripe+suina+5867916.html target=_toprebatizada de gripe A H1N1 pela OMS) e detectaram mutações de pequeno porte em relação à primeira amostra do vírus identificada na Califórnia (EUA).

A nova variedade, denominada "influenza A/São Paulo/H1N1", não apresentou capacidade de infecção maior que o tipo identificado no Estado norte-americano, segundo os pesquisadores.

"O sequenciamento não identificou nenhuma mutação que implique numa maior virulência", disse a jornalistas a coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde de São Paulo, Clélia Aranda. Ela afirmou que as vacinas que estão sendo desenvolvidas devem ser eficazes para os pacientes infectados com essa variedade do vírus.

Segundo os pesquisadores, detectou-se no sequenciamento do vírus uma diferença numa proteína chamada hemaglutinina, responsável pela capacidade de infecção do vírus, mas sem indicar diferença na agressividade do tipo detectado em São Paulo.

O primeiro caso no Estado de infecção humana causada pela nova estirpe do vírus foi identificado em um homem de 26 anos que apresentou os sintomas da doença ao retornar de uma viagem ao México. O paciente foi internado em 24 de abril no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e recuperou-se. Amostra de secreção respiratória deste paciente foi investigada pelos pesquisadores do Adolfo Lutz, que depois isolaram o vírus.

Segundo o Instituto Adolfo Lutz, estão sendo feitas tentativas de isolar e sequenciar todas as outras 26 amostras dos casos confirmados no Estado para seguir monitorando as mutações do vírus.

A caracterização genética é fundamental na investigação da epidemiologia molecular do vírus para saber se o padrão viral se mantém ou já se diferenciou dos encontrados em outras regiões do mundo, contribuir para a produção de vacina e avaliação de resposta aos antivirais.

Casos no Brasil

O Ministério da Saúde confirmou nesta terça-feira cinco novos casos de "gripe suína" no Brasil, elevando para 79 o número de contaminados pela doença no País. Há 96 casos considerados suspeitos. Dois novos  casos foram registrados no Estado de Minas Gerais, outros dois em Santa Catarina e um no Rio de Janeiro. Todos os pacientes estão em tratamento e passam bem, de acordo com o ministério.

Em um dos casos confirmados em Minas Gerais houve a transmissão autóctone da doença. Nos outros casos, os pacientes estiveram fora do País. São agora 16 casos de transmissão autóctone da gripe no Brasil. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), outros 34 países registraram este tipo de contaminação.

Dos casos confirmados da gripe no Brasil, 27 foram em São Paulo, 19 em Santa Catarina, 11 em Minas Gerais, 11 no Rio de Janeiro, quatro no Tocantins, três no Distrito Federal e dois no Mato Grosso. Bahia e Rio Grande do Sul tiveram um caso cada.

Outros 490 que chegaram a ser considerados suspeitos foram descartados.

A nova gripe já afetou mais de 37 mil pessoas no mundo, causando ao menos 165 mortes, segundo os últimos registros da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na semana passada, a OMS declarou a primeira pandemia de gripe desde 1968, ao aumentar o nível de alerta para a fase 6, o que implica que a doença está se propagando geograficamente, embora não necessariamente reflita sua virulência.

(*Com informações da Reuters e Agência Brasil)

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