O mercado relacionado ao combate às doenças negligenciadas, apesar de promissor, ainda é pouco aproveitado pelas empresas brasileiras de biotecnologia. São consideradas negligenciadas as doenças que afetam milhões de pessoas no mundo, mas não têm tratamentos eficazes ou adequados.

A dificuldade de criar canais de diálogo com universidades, a dependência do poder público como principal comprador e a destinação da maior parte dos recursos dos fundos internacionais para a China e a Índia são as principais dificuldades apontadas por empresários do setor.

O professor da Universidade de Toronto (Canadá) e autor de um estudo sobre a indústria brasileira de biotecnologia aplicada à saúde, Peter Singer, afirmou que as doenças negligenciadas representam uma boa oportunidade para o País. "Elas atingem milhões de pessoas no mundo, não recebem atenção dos países ricos e os pobres não têm recursos para estudá-las", afirma Singer. "O Brasil é um caso à parte, pois as doenças ocorrem no seu território e há infra-estrutura para desenvolver soluções inovadoras."

A diretora de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Suzanne Serruya, concorda com a opinião de Singer. "Se não investirmos nas pesquisas para combater essas doenças, quem investirá?", questiona. A pasta, em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciou um investimento inicial de R$ 17 milhões para pesquisas na área nos próximos dois anos.

O montante fica atrás apenas do dinheiro previsto para pesquisas relacionadas à infra-estrutura do complexo industrial de saúde (R$ 60 milhões) e terapia celular (R$ 21 milhões). Os primeiros editais serão divulgados no próximo semestre. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

AE

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