Brasil e França querem formar indústria aeronáutica conjunta

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil entrou em fase final de negociações com a França para a compra de 36 caças de combate, abrindo caminho também para que os dois países desenvolvam uma indústria aeronáutica em parceria.

Reuters |

Apesar de demonstrar a preferência pelos caças Rafale, o governo brasileiro sinalizou que quer uma redução do preço cobrado pelos franceses.

"Queremos desenvolver uma grande indústria aeronáutica, construir aviões em conjunto, vender aviões em conjunto", disse o presidente da França, Nicolas Sarkozy, a jornalistas em Brasília, após ter participado das comemorações do Sete de Setembro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o acordo, que permitirá ao Brasil fabricar e vender as aeronaves a outros países da América Latina.

Ele justificou a decisão de renovar as aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) citando a necessidade de o país proteger a Amazônia e as reservas de petróleo encontradas na camada pré-sal.

"A visita do presidente Sarkozy é mais que uma visita, é a consolidação de uma parceria estratégica entre dois povos que têm muita coisa em comum", destacou o presidente brasileiro. Veja mais sobre o acordo em

"Não é uma simples parceria comercial. A França não quer só vender ao Brasil e o Brasil não quer só vender à França. Nós queremos pensar juntos, criar juntos, construir juntos e, se for possível, vendermos juntos", acrescentou.

Em troca, a França decidiu comprar uma dezena aviões de transporte militar KC-390, que serão fabricados no Brasil pela Embraer.

O Rafale, fabricado pela Dassault Aviation, estava concorrendo com o F/A-18E/F Super Hornet da Boeing e com o Gripen da sueca Saab.

O governo francês assegurou ao Brasil que a tecnologia para a construção dos aviões será transferida, o que teria pesado no acordo.

"Compartilhar nossa tecnologia não nos dá medo, porque nós sabemos que no século 21 os países devem falar de igual para igual", disse Sarkozy.

"O tempo da colonização já acabou."

O chanceler Celso Amorim, entretanto, disse que as negociações ainda levarão tempo. "Dentro dos compromissos que foram assumidos, é de que o preço seja competitivo, seja razoável e tenha comparabilidade com o preço pago pelas próprias forças armadas francesas. Haverá condições de financiamentos que ainda serão discutidas", ponderou.

CLIMA E ECONOMIA

Os dois presidentes também afirmaram que apresentarão uma posição conjunta na reunião de cúpula sobre o aquecimento global a ser realizada em dezembro, em Copenhague.

"Não temos o direito de fracassar em Copenhague", disse o presidente francês.

Eles concordaram ainda no fortalecimento do G20 e na reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, alterações que dariam mais poder aos países emergentes e uma cadeira efetiva ao Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Em outro gesto político, Sarkozy apoiou a candidatura do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016.

Ele e Lula afirmaram ainda que querem ampliar os projetos conjuntos voltados ao desenvolvimento da África.

A entrevista coletiva dos dois presidentes foi concedida depois do tradicional desfile realizado em comemoração ao Dia da Independência, do qual Sarkozy foi o convidado especial do presidente Lula.

MANIFESTAÇÕES

Prestigiada por milhares de pessoas, a parada militar foi um espaço de manifestações políticas. Um grupo de manifestantes pediu a renúncia do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que recentemente enfrentou uma série de denúncias mas permaneceu no cargo devido ao apoio recebido do governo.

Outra parte da plateia saudou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como a próxima presidente do Brasil.

Sorridente, a escolhida do presidente Lula para disputar a eleição presidencial de 2010 pelo PT acenou para as arquibancadas antes de deixar a Esplanada dos Ministérios, onde a parada foi promovida.

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