Brasil e Chile responsabilizam países ricos por fome

Os presidentes de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e Chile, Michelle Bachelet, denunciaram hoje a responsabilidade dos países ricos no problema da fome, que afeta mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, dos quais 53 milhões na América Latina. Os dois líderes falaram durante a sessão inaugural da cúpula alimentar organizada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma, na Itália, que conta com a presença de mais de 60 chefes de Estado e de governo.

Agência Estado |

O presidente Lula disse que os líderes mundiais poderiam ter eliminado a fome, caso usassem para esse fim a metade dos fundos destinados a salvar os bancos quebrados na crise financeira mundial. "Frente à ameaça de um colapso financeiro internacional, causado pela especulação irresponsável, os líderes mundiais não vacilaram em gastar centenas e centenas de bilhões de dólares para salvar os bancos que haviam quebrado, que com menos da metade desses recursos teria sido possível erradicar a fome do mundo", afirmou.

Após recordar que ele pessoalmente passou fome e que, como milhões de brasileiros, teve que abandonar sua terra natal por essa razão, Lula afirmou que seu governo reduziu em mais de 20 milhões o número de pessoas que sofrem com a fome e diminuiu em 62% a desnutrição infantil, "quebrando o ciclo perverso que perpetua a miséria e a desesperança".

Lula notou que sua relação com a fome, a pobreza e a exclusão social é "uma experiência de vida, não uma percepção intelectual". Ele também renovou o compromisso dele e do governo para "assegurar a alimentação e erradicar a fome". Lula recordou que a economia no Brasil estava antes organizada para atender apenas 60% dos brasileiros, "deixando os restantes entregues à própria sorte: milhões de seres humanos eram vistos como estorvo".

Já a presidente do Chile disse, na mesma linha de Lula, que "assim como o mundo foi capaz de gastar bilhões de dólares para evitar o colapso econômico, agora é necessário um esforço similar para evitar um colapso social". "A dimensão mais grave, importante e urgente desse colapso social é a fome", afirmou Bachelet. Ela insistiu na responsabilidade dos países ricos. Segundo a chilena, nos últimos 20 anos, após o regresso da democracia, o Chile reduziu a pobreza de 38% para 13% e a extrema pobreza de 13% para 3%.

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