Brasil e Bolívia terão plano contra crimes de fronteira

Mais de 80% da cocaína e da pasta base de coca que chegam ao Brasil entram no País pela fronteira com a Bolívia

AE |

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Os governos do Brasil e da Bolívia firmaram nesta segunda-feira, em reunião bilateral, compromisso de construir um plano conjunto de combate aos crimes de fronteira, sobretudo contra o tráfico de drogas e de armas e o roubo de veículos. As bases do acordo serão definidas em reuniões ao longo de dezembro e também terão a presença de representante do governo do Peru. Mais de 80% da cocaína e da pasta base de coca que chegam ao Brasil entram no País pela fronteira seca de mais de 3 mil quilômetros entre os dois países, quase totalmente desguarnecida. 

O plano envolve ações de inteligência e operações conjuntas dos dois lados da fronteira. Para tanto, a Polícia Federal (PF) brasileira vai ceder aos bolivianos um laboratório de combate à lavagem de dinheiro (LAB) e permitir o acesso compartilhado dos veículos aéreos não tripulados (Vant) que o País adquiriu de Israel. Técnicos bolivianos serão treinados no Brasil para receber e processar as informações do Vant e também para operar o LAB.  

As medidas foram acertadas em reunião entre o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e o ministro de Governo da Bolívia, Sacha Llorenty. A ideia, segundo Barreto, é construir um plano sul-americano de combate ao crime organizado sob a chancela da Organização dos Estados Americanos (OEA) ou da União de Nações Sul-americanas (Unasul), organismo criado para atender especificamente a região. "Um dos focos centrais será o combate às drogas, problema que aflige a todos", disse.

 Segundo o ministro, a ação conjunta de combate ao narcotráfico terá reflexos não só sobre o Rio de Janeiro, mas em todos os grandes centros brasileiros. Idêntica cooperação já foi discutida com Argentina, Uruguai e Paraguai e agora avança com Bolívia e Peru. "É impossível o patrulhamento físico de mais de 17 mil quilômetros de fronteira", observou Barreto. "Isso só se consegue com o uso de tecnologias inteligentes e estratégias comuns."

Operação no Rio

Barreto disse também que as forças de segurança do Rio, com auxílio das Forças Armadas, vêm fazendo um combate exemplar às facções do tráfico que há décadas atormentam a população da cidade e do Estado. Prometeu também que o governo federal continuará dando todo o suporte necessário para que o governo fluminense expanda o programa de polícia de pacificação em todos os territórios ocupados por criminosos.

A atuação das Forças Armadas em apoio às operações de combate aos traficantes, segundo Barreto, está plenamente amparada na lei e na Constituição. São atividades de apoio às forças de segurança do Rio que envolvem transporte de tropa, logística e a segurança dos policiais em ação. O comando das operações, porém, é da Segurança Pública do Estado, à qual compete exclusivamente as ações de polícia. "Até agora a atuação dos militares está bastante satisfatória e a cooperação se estenderá pelo período que o governo do Rio precisar."

Presídios

O ministro informou também que das 50 vagas adicionais nos presídios federais de segurança máxima oferecidas ao Rio, 20 foram ocupadas por traficantes capturados durante a tomada do Complexo do Alemão. Outros 13 criminosos que já estavam presos no presídio federal de Catanduvas (PR), por medida de cautela, foram transferidos para a unidade de Porto Velho (RO).

O sistema penitenciário federal tem quatro unidades, cada uma com 208 vagas. No momento, existem cerca de 300 vagas não ocupadas e se o Rio precisar, outras serão colocadas à disposição.

Todos os detentos envolvidos com a onda de ataques no Rio estão sendo colocados em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que pode ser prolongado por até 360 dias, dependendo da periculosidade do criminoso. Nesse regime, o preso fica isolado na cela por 22 horas, sem qualquer contato com o exterior. Eles têm direito apenas a visitas dos advogados, mas as conversas são feitas via parlatório.

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