Brasil e Bolívia assinaram hoje o Termo de Estratégia de Cooperação Policial, acordo para promover o combate ao crime organizado nos dois países. O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, e o general Wilge Abel Obleas Espinoza, diretor nacional de Planejamento da Bolívia, assinaram o acordo hoje na presença de 50 autoridades, entre diplomatas, policiais e membros das Forças Armadas brasileira e boliviana.

Corrêa explicou tratar-se do primeiro acordo do gênero em toda a história dos dois países. "Até agora ocorreram apenas protocolos de intenção. As ações práticas estão começando, tendo como alvo principal o tráfico de cocaína, que carrega uma série de outros crimes. Não são apenas atitudes teóricas, mas a luta plena contra os criminosos, apoio logístico em operações, capacitação de policiais e troca de informações de inteligência".

"Temos alvos levantados durante investigações, que serão atacados em duas operações conjuntas. Fechamos o cerco e estamos discutindo os detalhes para o desencadeamento das ações que ocorrerão este ano. O acordo é para 2009 e no final faremos uma análise para saber se os resultados compensarão o prolongamento do trabalho por mais alguns anos", afirmou Corrêa.

O general Espinoza informou estar cumprindo ordem direta do presidente Evo Morales para cumprir a meta de "cocaína zero" na Bolívia. "Reconhecemos que essa tarefa é monumental para nós bolivianos, e por isso estamos recorrendo ao Brasil. Temos destinos mais nobres para nossa folha de coca, que entre as diversas utilidades pode ser aplicada até em medicamentos alopatas e homeopáticos", disse.

Para o diretor da PF, as ações conjuntas sempre aconteceram quando necessárias, mas não com a dimensão permitida pelo acordo firmado agora. Sábado passado, por exemplo, foram apreendidos em Campo Grande 318 quilos de cocaína boliviana que seguiriam para Osasco (SP) num caminhão, a partir de informações procedentes da Bolívia.

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