BRASÍLIA (Reuters) - Ministros do Brasil e da Argentina reunidos nesta terça-feira aprovaram a criação de um grupo de trabalho para buscar formas de estimular o comércio entre os dois países diante da desaceleração econômica global. Segundo o chanceler brasileiro, Celso Amorim, entre as medidas que serão analisadas pelo grupo de trabalho estão a ampliação do comércio com pagamento em moeda local, integração das cadeias produtivas dos dois países, medidas financeiras criativas e algum tipo de apoio a pequenas e médias empresas.

Em meio a promessas de que as partes tentarão avançar em poucas semanas na superação de contenciosos, o ministro das Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana, reivindicou um maior "equilíbrio" nas relações bilaterais e Amorim criticou indiretamente medidas protecionistas adotadas pelo país vizinho.

"Queremos um comércio bilateral mais equilibrado", afirmou Taiana durante entrevista concedida com Amorim a jornalistas.

Em 2008, a balança comercial entre os dois países foi deficitária em 4,3 bilhões de dólares para a Argentina.

Em decisão recente, o governo de Cristina Kirchner elevou o valor de referência para 800 produtos de importação de seu país para evitar o que considera competição desleal. O país também passou a exigir licenças prévias de importação para diversos produtos da pauta exportadora brasileira.

"As normativas vigentes permanecem vigentes", afirmou Taiana, ao negar a suspensão das medidas, que são questionadas pelo Brasil.

Amorim, questionado pela imprensa se o Brasil também poderia adotar iniciativas comerciais restritivas, negou.

"Acreditamos que essas medidas são contraproducentes ao desenvolvimento da integração regional", afirmou.

A ideia, de acordo com Amorim, é que o grupo técnico do lado brasileiro --coordenado pelo secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães-- apresente um relatório preliminar aos presidentes dos dois países até o dia 20 de março, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina se encontrarão em São Paulo.

Um relatório mais definitivo estaria sendo esperado até 23 de abril, quando os dois presidentes têm novo encontro, dessa vez em Buenos Aires.

"Os mecanismos de integração estão vivendo a hora da verdade", afirmou Amorim. "A crise cria o teste de estresse."

(Reportagem de Isabel Versiani)

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