Os números de morte e de casos de malária, divulgados ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra (Suíça), geraram protestos e divergências com o governo brasileiro. Segundo a estimativa da OMS, o total de casos é 150% maior do que o divulgado pelo Ministério da Saúde.

O documento Relatório Mundial sobre a Malária 2008, que traz dados de vários países, estima que cerca de 1,4 milhão de brasileiros contraíram a doença em 2006. Para o ministério, o dado não passou de 550 mil. A diferença no número de mortes é ainda mais significativa. Para o governo brasileiro, foram 97 e a OMS fala em 1.031 óbitos. A malária é uma doença infecciosa transmitida por mosquito, que causa febre alta, calafrios e dor de cabeça.

“A OMS cometeu um grave equívoco”, afirma o coordenador do Programa de Malária do Ministério da Saúde, José Ladislau. Ele alega que a metodologia utilizada para gerar as estimativas do relatório pode fazer sentido em países da África, onde o sistema de notificação dos casos é muito precário. “No Brasil, os dados oficiais são confiáveis”, justifica Ladislau.

O médico sanitarista Pedro Tauil, especialista em malária da Universidade de Brasília (UnB), também considera os dados da OMS “muito distantes da realidade”. Ele explica que, no Brasil, não é possível comprar remédio para a doença nas farmácias. Tudo é distribuído pelo governo, depois de um exame prévio que confirme o diagnóstico. Os municípios recebem os medicamentos em quantidade proporcional ao número de exames com resultado positivo repassados ao ministério. “Por isso, é muito difícil ocorrer subnotificação”, afirma Tauil. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, enviou um documento à OMS condenando o relatório. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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