Brasil deve ouvir índios do Amazonas sobre represa, diz Sting

Por Elzio Barreto SÃO PAULO (Reuters) - O governo brasileiro deveria ouvir os índios antes de decidir sobre a construção da polêmica usina hidrelétrica de 17,3 bilhões de reais no coração da floresta amazônica, disse o cantor britânico e ativista Sting neste domingo.

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Sting, que fundou a Rainforest Foundation em 1989 após conhecer um grupo de indígenas brasileiros no Amazonas, pediu mais diálogo sobre a represa de Belo Monte, um projeto de 11 mil megawatts no rio Xingu. O ex-Police se apresenta neste domingo no "Festival Natura Nós About Us", evento em defesa do meio ambiente, na Chácara do Jockey, em São Paulo.

A represa de Belo Monte atraiu duras críticas por seu alto custo e potencial dano ambiental à bacia amazônica, no momento em que ela é considerada prioridade absoluta pelo governo federal para atender a um aumento na demanda de energia nos próximos anos.

"Tenho certeza de que há fatores econômicos sólidos que justificam essa represa, assim como do lado oposto há fatores ecológicos sólidos que não a justificam", disse Sting ao lado do cacique Raoni, líder dos caiapós.

"Sou um estrangeiro, mas o que me importa é que a voz de todos os brasileiros seja ouvida", acrescentou. "O povo de Raoni precisa ser parte do processo porque está na linha de frente."

Grupos ambientalistas dizem que o projeto de Belo Monte, que também criará um aqueduto para ajudar a transportar commodities agrícolas cultivadas no Amazonas, irá danificar o ecossistema sensível.

Falando em sua língua nativa, Raoni disse que a represa pode prejudicar a caça e a pesca e que inundaria parte do Parque Indígena do Xingu.

"O governo quer construir essa represa e isso me preocupa", disse Raoni, usando um cocar e um disco labial, através de um intérprete, seu sobrinho Megaron.

"Essa represa pode atingir meu povo, a terra de meu povo", acrescentou ele. "Estou muito preocupado com o futuro de meus netos, meus bisnetos, por isso luto para manter a terra e o rio Xingu como são agora."

Na quarta-feira, o governo adiou uma licitação para a construção de Belo Monte até janeiro de 2010 por causa de dificuldades em obter a licença ambiental para o projeto. O país espera ter a licença antes da licitação para reduzir a percepção de risco político para os investidores.

O governo estima o custo da obra em cerca de 16 bilhões de reais, enquanto membros do setor prevêem valores na casa dos 30 bilhões de reais.

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