Brasil demorará anos para conhecer impacto do desmatamento da Amazônia

MANAUS - O Brasil demorará anos para saber com toda certeza o volume de emissões de dióxido de carbono (CO2) produzido pelo desmatamento descontrolado da floresta amazônica, fator que centrará sua proposta para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague.

EFE |

Apesar de o ponto forte da oferta voluntária assumida pelo Governo brasileiro ser reduzir o desmatamento em 80%, para cortar em até 38,9% o total das emissões do país, os cientistas ainda não têm segurança do impacto real que esta medida terá para o meio ambiente.

A partir do ano que vem, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) vai coordenar um complexo estudo de três anos apoiado por instituições japonesas, para determinar a concentração e as variações das reservas de CO2 na floresta amazônica.

O estudo combinará trabalhos de campo para realizar um pormenorizado inventário florestal e o uso de tecnologias de ponta como satélites e radares para explorar os dados em escala regional, segundo explicaram os responsáveis do projeto em um seminário em Manaus.

A Amazônia brasileira ocupa uma área de 3,6 milhões de quilômetros quadrados, equivalentes a 42% do território nacional.

Os responsáveis pelo projeto asseguram que as reservas de CO2 na vegetação podem ser calculadas pela combinação de dois fatores: a massa florestal e a concentração de ar na vegetação.

Segundo o cientista japonês Moritoshi Ishizuka, professor do Instituto de Estudos Florestais do Japão, 48% do peso seco da madeira é CO2.

"Um metro cúbico de madeira equivale a 0,25 toneladas de CO2.

Esse volume, quando é queimado, libera uma tonelada de gás carbônico", disse Ishizuka.

Para determinar o volume de madeira contido na Amazônia, os pesquisadores vão continuar um trabalho de campo do INPA iniciado em 1980 e que consiste basicamente em derrubar e cortar árvores para pesar a madeira e determinar a concentração carbônica.

O pesquisador do INPA Niro Higuchi apresentou um modelo que explica 94% das variações de árvores na Amazônia, desde as menores, de 8 quilogramas, até as maiores da floresta, de 41 metros de altura e 25.600 quilos.

Este modelo demonstra que 69% do peso das árvores se concentra no tronco, 17% nos galhos finos e 11% nos grossos, o que torna especialmente relevante o uso de meios tecnológicos, como radares, para estudar a densidade das copas das árvores.

Até agora, os estudos em grande escala dependem de satélites, que enfrentam limitações, como o céu encoberto na região e a alta densidade da folhagem.

Em qualquer caso, os satélites serão essenciais para completar os trabalhos de campo, que não se podem extrapolar automaticamente a toda a Amazônia já que as características da floresta "são diferentes em cada área", segundo o japonês Haruo Sawada, professor da Universidade de Tóquio.

"Variam as condições de vegetação, temperatura, superfície e água. As inundações podem mudar a estrutura da floresta", disse Sawada.

Quando o projeto for concluído, em 2013, haverá um mapa mais preciso dos ciclos do CO2, que depende tanto da regeneração da floresta quanto do crescimento das árvores existentes. EFE mp/pd

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