Brasil costuma jogar fora bilhete premiado, diz Serra

Virtual candidato do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo José Serra, lançou mão hoje da mesma metáfora usada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para referir-se ao desenvolvimento do País após a descoberta das reservas de petróleo do pré-sal. Serra disse que, no Brasil, muitas vezes joga-se fora o bilhete de loteria premiado.

Agência Estado |

"Temos o complexo de ganhar o bilhete de loteria, jogar no vaso sanitário e puxar a descarga em matéria de perda de oportunidades", disse o governador, em discurso a cerca de 200 convidados em evento no Palácio dos Bandeirantes, na Capital.

O governador negou depois ter se referido ao discurso de Lula na segunda-feira, durante o anúncio do marco regulatório do pré-sal. Serra hoje usou o exemplo do bilhete de loteria para dizer que São Paulo teve "a agilidade de aproveitar uma oportunidade de expansão", em referência ao Banco do Povo Paulista, entidade estadual para concessão de microcrédito. "É uma coisa que não é comum no Brasil", afirmou Serra.

Questionado sobre a que se referia com a citação do bilhete de loteria, respondeu. "A muitas coisas." O tucano disse desconhecer a frase do presidente por não ter lido jornal. Informado sobre a fala de Lula, negou que houvesse relação entre os dois discursos. "Não tem nada a ver. Pré-sal é para daqui a algumas décadas." No Congresso, parlamentares do partido de José Serra, o PSDB, travam uma batalha contra o pedido de urgência para os projetos do marco regulatório. O projeto altera regras da Lei do Petróleo, criada no governo do presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

Crítico contumaz da política econômica do governo do PT, Serra - que anunciava na cerimônia a redução da taxa de juros do Banco do Povo - reclamou dos juros fixados pelo Banco Central (BC). "Num país civilizado, esse seria um juro alto", disse em referência à taxa do Banco do Povo, que passou de 1% para 0,7% ao mês. "Mas, no Brasil, é um juro de mãe." Ontem, Lula disse que o papel do governo federal no pré-sal é "como o de uma mãe", que tem de tratar todos com carinho e "não deixar faltar nada para ninguém".

Apesar dos cortes ininterruptos feitos pelo BC desde janeiro na taxa básica de juros, o governador paulista negou qualquer relação entre a redução da Selic e a diminuição da taxa dos empréstimos do Banco do Povo. Em dezembro, a Selic estava em 13,75% ao ano. Hoje, está em 8,75%.

Serra comparou ainda os investimentos em saneamento feitos pelo Estado e pela União, em uma alfinetada contra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), bandeira do governo Lula e da virtual candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Estamos investindo mais que o dobro per capita em saneamento em relação ao governo federal no Brasil, apesar de termos muito, muito, muito menos recursos e não podermos emitir papéis (de dívida) para gastar", disse o tucano. Segundo o governador, 96% do investimento em saneamento no Estado é feito pelo governo estadual.

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