Brasil confirma 4 primeiros casos de gripe H1N1

Por Ana Paula Paiva BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, confirmou nesta quinta-feira os quatro primeiros caso da nova gripe H1N1 no Brasil, mas disse que a situação está controlada no país.

Reuters |

"O vírus chegou ao Brasil, mas não circula", disse o ministro. "A situação está totalmente sob controle. Até agora, não há nenhum registro de contágio", acrescentou o ministro a jornalistas.

Os casos da doença, que ficou conhecida como "gripe suína", estão nos Estados de São Paulo (2), Minas Gerais (1) e Rio de Janeiro (1). Três pacientes que tiveram a gripe já receberam alta, e apenas um que está no Rio segue internado.

Três pacientes vieram do México e um dos Estados Unidos. Segundo Temporão, todos são adultos jovens e "passam bem".

"Todos os casos foram importados e não existem evidências de que o vírus tenha contaminado outras pessoas no país, ou seja, o vírus não circula no país", ressaltou o ministro em entrevista coletiva.

O Ministério da Saúde informou que há ainda 15 casos suspeitos no Brasil e que o resultado dos exames deve sair na sexta-feira.

Os quatro casos anunciados por Temporão foram confirmados após a realização de exames com kits enviados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que chegaram ao país na quarta-feira. Do total de testes realizados, 93 deram negativo.

Apesar de o país ter confirmado os primeiros casos, Temporão afirmou que não haveria nenhuma mudança nas ações do governo.

O ministro reiterou os alertas contra a automedicação e disse que a confirmação desses primeiros casos mostra que o sistema de vigilância e monitoramento está funcionando.

"Tudo que deveria estar sendo feito está sendo feito", disse, acrescentando que o Brasil tem capacidade para tratar até 9 milhões de pessoas com a doença.

NOVOS CASOS

O primeiro país da América do Sul a ter caso da gripe confirmado foi a Colômbia. Nesta quinta-feira, a Argentina também confirmou seu primeiro caso. Em todo mundo, já existem mais de 2 mil casos confirmados, segundo os últimos números da OMS.

Segundo o infectologista Edemilson Calore, do Instituto Emílio Ribas de São Paulo, novos casos devem ser confirmados no Brasil, "mas não é momento para pânico."

"O governo não acreditou que a gripe viesse dessa forma" para o Brasil, disse Calore à Reuters. "Não é motivo para pânico porque o índice de fatalidade é menor que se pensava inicialmente. Mas é motivo para ficar alerta", afirmou.

Na última segunda-feira, o Ministério da Saúde pediu ao governo a liberação de uma verba adicional de 141 milhões de reais para intensificar as ações contra a doença no Brasil.

Após a confirmação dos primeiros casos do vírus no exterior no mês passado, o governo decidiu realizar uma triagem de passageiros que desembarcam no Brasil, encaminhando viajantes com sinais da doença diretamente dos aeroportos para hospitais de referência.

Nesta quinta-feira, a OMS anunciou que decidiu manter na fase 5, numa escala que vai até 6, o nível de alerta de pandemia para a doença, que já matou 44 pessoas no México e duas nos Estados Unidos.

(Reportagem adicional de Natuza Nery, em Brasília, e Hugo Bachega, em São Paulo)

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