SÃO PAULO (Reuters) - O Ministério da Saúde confirmou nesta quarta-feira 17 novos casos de gripe H1N1, o que eleva para 96 o número de infectados pela doença no Brasil. Sete novos casos foram confirmados no Estado de São Paulo, cinco em Santa Catarina, três em Minas Gerais e dois no Rio de Janeiro. Todos os pacientes passam bem, de acordo com nota do ministério.

No Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, mostrou preocupação com o início do inverno, no próximo domingo.

"É nesta época, com as baixas temperaturas, que as pessoas saem menos, ficam mais em ambientes fechados. Essas condições climáticas favorecem a circulação do vírus da gripe", afirmou o ministro, acrescentando que as medidas de contenção e prevenção serão mantidas.

O número de contaminados pela doença dentro do território nacional subiu para 18, com a confirmação de dois novos casos deste tipo, chamado transmissão autóctone. Esses pacientes são contatos de pessoas procedentes do exterior que já tinham sido diagnosticadas com a doença.

"A transmissão no Brasil é limitada, sem evidências de sustentabilidade da transmissão do vírus da Influenza A (H1N1) de pessoa a pessoa", disse o comunicado do ministério.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), outros 34 países registraram este tipo de contaminação.

Dos casos confirmados no Brasil, 34 foram em São Paulo, 24 em Santa Catarina, 14 em Minas Gerais, 12 no Rio de Janeiro, quatro no Tocantins, três no Distrito Federal e dois no Mato Grosso. Bahia e Rio Grande do Sul tiveram um caso cada.

Há ainda 80 casos considerados suspeitos no país e outros 510 foram descartados.

VACINA BRASILEIRA

O ministro da Saúde afirmou ainda que a identificação do vírus da gripe H1N1 por pesquisadores brasileiros coloca o país mais perto de desenvolver uma vacina contra a doença.

"Essa descoberta coloca o Brasil no eixo de um dos potenciais candidatos de desenvolver uma vacina", disse Temporão durante seminário no Rio.

"Não é uma coisa para agora... Para esse inverno nosso é impossível e inviável", disse o ministro. "Então, a possibilidade do Brasil estar desenvolvendo e produzindo uma vacina se coloca no cenário para o ano que vem."

Na terça-feira, pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz anunciaram ter detectado mutações do vírus da gripe H1N1 após isolar amostra obtida em São Paulo e compará-la com a cepa identificada na Califórnia (EUA).

Temporão afirmou que ainda não é possível saber se a versão mutante do vírus é mais agressiva que a registrada em outros países.

Na semana passada, a OMS declarou a existência da primeira pandemia de gripe em 40 anos, ao elevar seu alerta para o nível máximo de 6. De acordo com a OMS, a gripe H1N1 infectou mais de 37.000 pessoas em 82 países e causou 165 mortes.

(Por Hugo Bachega; com reportagem de Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro)

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