Brasil busca agilizar atendimento a casos mais graves de H1N1

SÃO PAULO (Reuters) - O Ministério da Saúde divulgou novas medidas para agilizar o atendimento a casos mais graves da gripe H1N1 no Brasil, onde 19 novos casos foram registrados nesta sexta-feira, o que eleva o total para 756 infectados. Segundo o ministro José Gomes Temporão, pacientes que tiverem sintomas de gripe devem procurar o sistema de saúde mais próximo e não os hospitais de referência para o vírus influenza no país.

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"Começam a haver sinais de um tempo muito grande de espera (nas redes de referência), e isso é ruim porque sobrecarrega o hospital, que deveria estar cuidando dos casos mais graves", disse Temporão em entrevista coletiva em Brasília.

O ministro acrescentou que exames laboratoriais para a confirmação da doença, conhecida como gripe suína, serão realizados somente em casos graves ou em amostras (locais onde mais casos foram confirmados).

Outro procedimento a ser tomado será o de receitar remédios específicos contra o H1N1 somente nos casos de agravamento do estado de saúde para evitar que o vírus se torne resistente aos medicamentos, como ocorreu já ocorreu em Hong Kong, Japão e Dinamarca.

O ministro afirmou que as novas orientações visam "garantir um atendimento ágil a pacientes com quadro grave" nos hospitais de referência e "impedir que pessoas venham a falecer por esta doença".

O Brasil registrou uma morte pelo vírus H1N1 e ao menos dois pacientes seguem em estado grave, um no Rio Grande do Sul e outro em Minas Gerais.

Além dos 756 casos confirmados, o Ministério da Saúde acompanha 1.414 casos suspeitos e outros 1.203 foram descartados.

O ministro informou que das amostras analisadas até agora pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, 24 por cento correspondiam ao vírus H1N1, e na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, o percentual de casos da nova doença é de 29 por cento.

TRANSMISSÃO DENTRO DO PAÍS

Dos 756 casos confirmados, 60,1 por cento foram de pessoas que se infectaram no exterior e 23,4 por cento de transmissão autóctone (ocorrida dentro do território nacional).

Segundo Temporão houve um aumento no número de casos transmitidos dentro do Brasil --30 por cento na última semana contra 6 por cento três semanas atrás-- devido às viagens e ao inverno no hemisfério sul, que facilita a propagação da gripe.

No entanto, todos os casos autóctones têm vínculos epidemiológicos com pacientes procedentes do exterior, por isso o ministério "considera que, até o momento, a transmissão no Brasil é limitada, sem evidências de sustentabilidade da transmissão do vírus de pessoa a pessoa".

Os principais locais de provável infecção dos casos importados foram Argentina (287 casos), Estados Unidos (88) e Chile (42), três dos sete países onde a transmissão do vírus é considerada sustentada. Os outros são México, Canadá, Austrália e Reino Unido.

De acordo com Temporão, a taxa de letalidade do H1N1 no mundo segue em 0,4 por cento, próxima à da gripe sazonal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de pandemia devido à nova gripe, que infectou quase 90 mil pessoas e matou 382, a maioria no México.

(Por Tatiana Ramil)

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