Com uma viagem às terras áridas do Sertão brasileiro, os renomados diretores Marcelo Gomes e Karin Ainouz revelam no filme Viajo porque preciso, volto porque te amo, apresentado no Festival de Veneza, as contradições de um país em transformação, entre o rural e o urbano.

As desventuras amorosas do geólogo José Renato, em viagem pelo nordeste brasileiro com o objetivo de supervisionar a construção de um imenso canal, servem como pretexto para descrever as mudanças íntimas da sociedade e o sentimento de abandono.

O filme, que foi generosamente aplaudido nesta sexta-feira durante a exibição para imprensa e público, ainda não estreou no Brasil, deverá participar em breve dos festivais de cinema do Rio de Janeiro e de Miami.

"É um melodrama, uma história de abandono clássico", explica à AFP Marcelo Gomes, satisfeito com os elogios recebidos ao término da exibição programada pela seção Horizontes, a mais inovadora da Mostra.

O Sertão de Gomes e Ainouz, os dois nascidos e crescidos no nordeste brasileiro, é, na realidade, um lugar imaginário, onde se pode fugir da dor, sonhar e viver do sexo fácil com jovens prostitutas, assim como "inventar" com o cinema.

"O Sertão pode ser qualquer lugar do mundo", reconhece o cineasta, premiado autor de "Cinema, Aspirinas e Urubus" (2005), que trabalha intensamente com Ainouz, de "Madame Satã" (2002) e "Céu de Suely" (2006), para fazer "experiências" com a linguagem cinematográfica, através de um mosaico de imagens e personagens captados com fotos, slides e vídeos.

"É uma ficção, mas parece um documentário, um ensaio no qual empregamos a mesma tecnologia usada por qualquer pessoa, como a dos blogs atuais, com fotos, gravações, imagens eletrônicas. Quisemos pesquisar formas novas de linguagem. É que o cinema é algo novo ainda e que está mudando", afirma.

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