Procedentes de 130 nações de todos os continentes, 41.816 estrangeiros em situação irregular no Brasil acabam de conseguir anistia, conforme balanço divulgado hoje pelo Ministério da Justiça.

Mais de 40% deles são bolivianos (16.881). Parte deles sobrevivia em condições de mão de obra semiescrava e era alvo de quadrilhas de traficantes. O segundo lugar no ranking ficou com os chineses (5.492), seguidos por peruanos (4.642), paraguaios (4.135) e coreanos (1.129).

O principal destino dos estrangeiros é São Paulo, onde se fixaram 34 mil imigrantes ilegais, ou mais de 80% do total, em busca de oportunidades de trabalho. O segundo Estado mais procurado foi o Rio de Janeiro (2,4 mil), seguido por Paraná (1,5 mil). O Nordeste, sobretudo a zona litorânea do Ceará, Bahia e Pernambuco, também atraiu bom número de imigrantes, principalmente empreendedores do setor turístico, como donos de pousadas, restaurantes e bares.

A anistia - a quarta que o governo concede desde os anos 1980 - foi instituída em julho de 2009 por decreto presidencial. Teve direito ao benefício quem entrou no País, mesmo por meio ilegal, até 1º de fevereiro de 2009. O visto de permanência concedido é provisório e, após dois anos, será convertido em definitivo, podendo se transformar em cidadania plena, se o imigrante o desejar.

O prazo terminou no último dia 30 de dezembro e, como muitos deixaram para fazer o pedido na última hora, a PF distribuiu cerca de 4 mil senhas aos retardatários, que serão atendidos nas próximas semanas. A previsão é que o total chegue a mais de 43 mil, estimou o ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto. Antes, a anistia mais recente foi a de 1998, que beneficiou 39 mil pessoas.

Primeiro mundo

Desta vez, surpreendeu as autoridades a quantidade de europeus (2.390) que pediram o benefício, muitos deles vindos de países do chamado primeiro mundo, como Inglaterra, França, Itália e Alemanha. O número de europeus anistiados ficou próximo do total de africanos (2.700), que historicamente ocupavam o topo da imigração.

Em meio à crise que assola a maior economia do mundo, 274 norte-americanos também trocaram seu país pelo Brasil. A lista inclui ainda 186 cubanos, que entraram clandestinamente no Brasil. Apesar da crise aguda que afeta a Argentina há anos, apenas 469 "hermanos" pediram o visto de residência brasileiro.

Todos os anistiados passam agora a gozar dos mesmos direitos civis dos brasileiros, como o de livre circulação, de trabalho e acesso à saúde pública, educação e assistência social. Mas direitos políticos, como votar e ser votado, só poderão ser alcançados se eles optarem pela cidadania definitiva, após dois anos de residência provisória sem cometimento de crime.

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