Brasil amplia exportações de frango com preços recordes

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, com domínio de 40 por cento do mercado mundial, está ampliando fortemente as suas vendas externas, e elas deverão crescer mais no segundo semestre, mesmo em um quadro de preços recordes do produto, avaliou nesta quarta-feira a Abef, que representa o setor.

Reuters |

As cotações do frango exportado pelo país, que atingiram 1,8 dólar por quilo em média de janeiro a maio, alta de 32 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, aumentaram em função dos preços recordes do milho, principal insumo da avicultura, e também como forma de amenizar as perdas de rentabilidade da valorização do real.

'Tivemos um aumento assustador do milho e da soja. Se não houvesse uma reação (de preço) em dólar, seria impossível exportar', disse nesta quarta-feira o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra.

O resultado do aumento de preços em dólar pode ser visto nas exportações do setor nos primeiros cinco meses de 2008.

Enquanto os embarques aumentaram 18 por cento em volume, para 1,5 milhão de toneladas, cresceram 56 por cento em receita, para 2,7 bilhões de dólares.

Para a Abef, esse crescimento nas exportações deve ser ampliado ainda mais no segundo semestre, um período em que tradicionalmente as vendas são maiores, e também com mais aumentos de preços, uma vez que os custos dos principais insumos não dão sinal de dar trégua.

'O quadro internacional hoje é tão diferente que pode chegar a 2 (dólares por quilo)', afirmou o diretor executivo da Abef, Christian Lohbauer, ao responder a jornalistas sobre os limites de transferência de custos.

'O quadro internacional para aumentos é tal... Não imaginávamos que poderia chegar a 1,8 dólar no começo do ano e chegou. Veja aí o custo do milho (que representa mais de 50 por cento de produção de frango)', acrescentou Lohbauer, apontando para os recentes recordes na bolsa de Chicago .

Segundo ele, o custo de produção em países concorrentes do Brasil, como os EUA, ainda são mais altos.

A indústria de aves, na avaliação de Turra, não vê riscos relacionados a uma eventual diminuição do ritmo de embarques em função dos preços, como já ocorreu com o setor de carne bovina, um produto mais caro [ID:nN10353295].

'Com o frango não há problemas religiosos nem restrições sanitárias, é uma carne barata e há tendência de crescimento. O Brasil acessa 150 mercados e acho que vamos ampliar', declarou o ex-ministro, que assumiu a presidência da Abef recentemente.

Turra afirmou ainda que as exportações seguem em um ritmo forte em junho e o setor deve fechar o semestre com vendas de 3,5 bilhões de dólares.

'Se as projeções se efetivarem... quero ter a liberdade de achar que as exportações passarão dos 6 bilhões de dólares no ano, podendo chegar a 6,5 bilhões de dólares', disse ele, o que seria um aumento de 1,5 bilhão de dólares em relação a 2007.

Apesar das previsões otimistas, o diretor executivo admitiu que as margens das indústrias estão menores, mesmo com os mercados interno e externos demandantes.

CONSUMO INTERNO

A produção brasileira de carne de frango somou 4,4 milhões de toneladas entre janeiro e maio deste ano, crescimento de 7 por cento ante o mesmo período de 2007, com o mercado interno absorvendo 2,9 milhões de toneladas, ou 65 por cento.

O consumo no Brasil aumentou 2,5 por cento em 2008 ante o ano passado, para 38 quilos per capita anuais.

Segundo o diretor executivo da União Brasileira de Avicultura (UBA), Clóvis Puperi, o aumento do consumo de frango está mais ligado ao crescimento da renda da população mais pobre.

'Não temos observado a substituição de carne bovina pela de frango... Os novos consumidores que chegam ao mercado consomem primeiro a carne de frango', disse Puperi, observando que o consumo no país deve repetir o desempenho de 2007, crescendo 4 por cento em 2008.

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