A dependência externa de matéria-prima para a fabricação de medicamentos ainda é grande no Brasil. Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o País importou 8,8% dos medicamentos e 83,2% dos insumos usados na produção de remédios em 2005.

Os gastos corresponderam, respectivamente, a R$ 4,03 bilhões e R$ 3,06 bilhões.

A pesquisa aponta, porém, tendência de redução da participação da saúde no total das importações a partir de 2002. Em 2000, 8,2% da oferta de medicamentos era de produtos importados, participação que cresceu até 2002, quando chegou a 11,8%. Quanto aos insumos, 72,7% eram importados em 2000, porcentual que chegou a 93,9% em 2003.

O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Carlos Gadelha, afirma que "políticas irresponsáveis praticamente destruíram" a indústria farmoquímica nacional na década de 1990. "Houve abertura comercial abrupta, sem nenhum estímulo ao desenvolvimento tecnológico interno", disse. Para ele, essa dependência externa é um risco para o sistema de saúde, que fica vulnerável. "Se a taxa de câmbio valoriza, você tem uma pancada."

O total das importações de bens e serviços relacionados à saúde chegou a R$ 9,98 bilhões em 2005, equivalente a 5% da oferta total desses bens e serviços no País, e a 4% do total das importações brasileiras. Apesar de as exportações no setor terem mais do que dobrado desde 2000 (de R$ 704 milhões para R$ 1,9 bilhão - ou 0,6% do total das exportações do País em 2005), o valor não chega a um quinto do gasto em importações.

Segundo Gadelha, os gastos com importações no setor eram de R$ 1,6 bilhão nos anos 1980. O IBGE mostra que subiram para R$ 4,6 bilhões em 2000 e chegaram a R$ 10,8 bilhões em 2004. "Produzimos os insumos básicos e não os ligados à inovação. Isso nos dá pouca autonomia e dificulta o acesso universal à saúde", disse Angélica Borges dos Santos, da Fiocruz, uma das coordenadoras do estudo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

AE

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