BR diz que consumo por setor industrial segue em queda

Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - O consumo industrial de combustíveis no Brasil seguirá baixo pelo menos pelos próximos três meses, avaliou o presidente da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, José Eduardo Dutra.

Reuters |

Segundo ele, empresas como a Vale e o setor de papel e celulose reduziram em aproximadamente 60 milhões de litros por mês as suas compras de diesel e óleo combustível desde novembro, uma queda de 2 a 3 por cento ante o ano anterior. O setor industrial representa entre 10 e 15 por cento da receita da empresa.

"O mercado está sinalizando que nos próximos três meses o corte vai continuar", afirmou Dutra a jornalistas durante apresentação do balanço de 2008 da empresa.

De acordo com Dutra, no mercado de varejo a situação é mais favorável, apesar de que, se comparado ao ano passado, os meses de novembro, dezembro e janeiro "andaram meio de lado, com alta de apenas 1 por cento", explicou o executivo.

"Não há dúvida que o mercado crescente que tinha no ano passado não aconteceu, o que vai acontecer (este ano) é que o lucro da BR vai ser menor, porque o mercado é menor", explicou Dutra, ressaltando que a queda da área industrial é mais acentuada.

O incremento na venda de diesel conseguido no ano passado, de 2 por cento sobre 2007, com a venda para usinas térmicas, que tiveram que ser acionadas devido à seca, não deverá se repetir este ano.

"Já o álcool vai continuar crescendo enquanto aumentar a frota flex e a diferença de preço entre gasolina e álcool", apostou.

A empresa teve lucro de 1,289 bilhão de reais em 2008, 53,3 por cento mais do que no ano anterior. Este ano, apesar de esperar vendas menores ou iguais, o lucro da companhia deve crescer com a incorporação da Ipiranga, adquirida em 2007.

No ano passado, o mercado de combustíveis cresceu 8,9 por cento, segundo Dutra, e a BR conseguiu aumentar o seu market share. Mesmo sem a incorporação das vendas da Ipiranga, a fatia de mercado da BR subiu de 33,9 por cento em 2007 para 37,8 por cento em 2008.

"E vamos fechar este ano com 39 por cento, é a nossa meta", disse o ex-presidente da Petrobras.

O otimismo se baseia na percepção de que pelo menos não haverá queda de consumo nos mais de 6 mil postos da BR espalhados pelo país, e que subirão para 7.100 após a incorporação dos postos Ipiranga do Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

Este ano a companhia inicia a mudança de bandeira dos postos Ipiranga, o que poderá ser feito até 2012.

"Até 2012 faremos a mudança de todos os 700 postos Ipiranga", prometeu o executivo.

Ele disse que não estão previstas mais aquisições pelos próximos cinco anos, período do plano de negócios da Petrobras 2009-2013, e pelo qual a BR investirá, com caixa próprio, 4,3 bilhões de reais. Para este ano, a previsão é de investimentos da ordem de 621 milhões, contra os 424 milhões de reais investidos em 2008.

Desse total, 90 milhões de reais serão usados para publicidade e patrocínios --contra 67 milhões de reais anteriormente--, incluindo o apoio ao Flamengo, que não pode acessar os recursos antes de resolver dívidas com o governo.

"O patrocínio para aquele time está aprovado, ele só não leva porque está inadimplente com o INSS", disse o botafoguense Dutra, sem citar nenhuma vez o nome do Flamengo.

O aumento nos investimentos em publicidade e patrocínio, em uma época em que a empresa-mãe, Petrobras, está reduzindo seus gastos, deve-se à iniciativa da BR de promover uma grande campanha publicitária para estimular a venda nos postos que envolverá revendedores, frentistas, dono de postos, etc.

"O Programa Integrado de Marketing (PIM) consiste em um conjunto de ações que terão campanha publicitária conjunta para estimular as vendas", disse Dutra, negando que a iniciativa tenha sido motivada pela crise.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG