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Bortolotto retorna aos palcos inabalado com Música para Ninar Dinossauros

Aguardada por ser o primeiro trabalho do dramaturgo Mario Bortolotto após a tentativa de assalto na qual levou três tiros em dezembro, ¿Música para Ninar Dinossauros¿ teve uma estreia problemática na quinta-feira, no Festival de Curitiba. Por problemas no equipamento de luz do teatro Sesc da Esquina, o início atrasou duas horas e fez com que muita gente desistisse de esperar. Ontem à noite, no entanto, a peça começou no horário e serviu para esclarecer que, se alguém esperava redenção ou um insight luminoso dessa experiência próxima da morte, é melhor esquecer: Bortolotto continua essencialmente o mesmo.

Marco Tomazzoni, enviado a Curitiba |

Divulgação / Kelly Knevels

Lourenço Mutarelli e Mário Bortolotto: a geração que sempre chegou atrasada

O texto do espetáculo já estava sendo gestado antes do incidente e foi concluído aos poucos, culpa do braço imobilizado e das dores nas costas do autor. Nada disso, no entanto, transparece em cena e os três personagens principais emergem do imaginário que Bortolotto cultivou ao longo dos anos: bêbados, drogados, escritores e desenhistas à margem da sociedade.

Esses são Igor (o próprio diretor), Treta (Paulo de Tharso) e Zed (o cartunista Lourenço Mutarelli, o melhor deles), três amigos quarentões que dividem o mesmo apartamento e passam através da vida sentados no sofá de casa, como se não houvesse mundo lá fora além do bar na esquina. Na sala, piano, violões e uma vitrola sempre rodando. Uma versão da dupla Wood & Stock, de Angeli, sem qualquer traço do movimento hippie.

O tempo vai e volta ao longo da história, através de uma janela que proporciona um retorno a 15 anos antes, dando lugar a um elenco jovem. Exceto os cabelos brancos (e da falta deles), pouca coisa mudou para o trio: no lugar da cocaína (nos anos 80, o pó era bom, mas a música, uma bosta, lembra um deles), entram os calmantes e antidepressivos da maturidade. Já o álcool é uma constante.

Constante maior, porém, são as eternas companheiras desses amigos ¿ prostitutas, uma para cada um. Na falta de vontade, interesse ou responsabilidade por parte deles para assumir um relacionamento de verdade, cabe a elas dar carinho, sexo e atenção ao trio principal. Vale tudo para fugir da solidão, e talvez seja essa a principal mensagem por trás de todas as piadas e debates (rasos ou não) sobre putas que povoam o espetáculo.

Música para Ninar Dinossauros pretende retratar uma geração que chegou sempre atrasada, jovem demais nos anos 1960 para participar da revolução e muito velha para sair às ruas de cara-pintada décadas depois. Pelo menos é isso que alegam os protagonistas, Bortolotto incluso. Ainda com uma tipóia no braço, ele quis mostrar que é uma figura do passado, em extinção (fato, tragicamente, quase consumado). Fica a cargo do público simpatizar ou se identificar com tudo isso. Melhor não criar expectativas.

Serviço ¿ Música para Ninar Dinossauros no Festival de Curitiba
Última apresentação neste sábado (20), às 21h, no Sesc da Esquina
Ingressos: R$ 45
Bilheteria central: ParkShopping Barigui, de segunda a sexta das 11h às 23h; sábados, das 10h às 22h; domingos, das 14h às 20h
Bilheteria Memorial de Curitiba: segunda à sábado, das 12h às 18h; domingo, das 9h às 17h
Informações: (41) 3317-6710
Vendas por telefone: (41) 4003-1212
Vendas pela Internet: Ingresso Rápido

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