Bônus demográfico para quem?

A divulgação da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE reacendeu uma antiga discussão acadêmica e que já começa a repercutir nas empresas de consumo. É o chamado bônus demográfico ¿ uma nova faixa de consumidores, que abrange quem tem mais de 15 anos e até profissionais economicamente ativos de 65 anos.

André Sartorelli, especial para o iG |

Essa euforia não é compartilhada pelo jornalista Jorge Felix, que acompanha de perto o assunto do envelhecimento populacional brasileiro (e mantém um blog no iG ). Os números publicados no estudo do IBGE são a matéria-prima do seu mestrado em Economia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) sobre o envelhecimento da população e o aumento da desigualdade social no País.

Felix defende a tese de que o Brasil acentuará as diferenças entre as classes sociais à medida que aumentar o nível de envelhecimento da população. Os países desenvolvidos ficaram ricos primeiro para depois envelhecer. No caso, estamos ficando velhos sem ficar ricos, afirma. Sem uma participação mais atuante do Estado, dificilmente evitaremos o aumento da pobreza.

O País precisa planejar para os próximos anos uma revisão das regras que envolvem principalmente o sistema previdenciário e também o mercado de trabalho

Ele afirma que, ao mesmo tempo em que o sistema previdenciário está enfraquecido, deficitário, o Estado estimula o individualismo, ou seja, faz o cidadão acreditar que só é possível uma aposentadoria mais confortável quando se recorre aos planos de previdência privada.

É uma lógica muito cruel porque poucos contribuintes conseguirão pagar por uma previdência privada, diz Felix. As crianças de hoje sofrem com a educação pública de má qualidade. Quando se tornarem idosos, terão suas rendas comprometidas, o que põe em xeque a visão das empresas que enxergam os idosos do futuro como potenciais consumidores.

Esse raciocínio é compartilhado por gente do próprio IBGE. O País precisa planejar para os próximos anos uma revisão das regras que envolvem principalmente o sistema previdenciário e também o mercado de trabalho, diz Fernando Albuquerque, gerente do projeto Componentes da Dinâmica Demográfica do IBGE.

Se por um lado o chamado bônus demográfico é a esperança por um País mais desenvolvido, por outro há que se discutir se o Brasil está preparado para aproveitar o que de melhor o bônus pode oferecer.

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