Bombeiros buscam vítimas de tragédia em Niterói, mortos são 161

Por Maria Pia Palermo NITERÓI (Reuters) - Equipes de resgate trabalhavam intensamente nesta quinta-feira em busca de vítimas em um cenário de destruição em Niterói, onde um deslizamento provocado pelas chuvas soterrou na noite passada casas construídas numa área em que existia um lixão desativado.

Reuters |

As chuvas que atingem o Rio de Janeiro desde segunda-feira deixaram ao menos 161 mortos, a maioria devido a deslizamentos. O número de vítimas da tragédia deve subir nas próximas horas, pois dezenas de pessoas ainda estão desaparecidas após o desmoronamento que atingiu 50 casas no Morro do Bumba, em Niterói, cidade que registrou maior número de mortos em todo o Estado.

"Moravam cerca de 200 pessoas, mas não temos como estimar quantas estavam no local e podem estar soterradas", disse à Reuters por telefone o vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que estava no local do desastre, onde voltou a chover forte no fim desta manhã.

Além de residências, foram soterrados estabelecimentos comerciais, creches e igrejas. Dez corpos foram retirados dos escombros até o início da tarde desta quinta-feira.

"Foi uma tragédia grave, e os trabalhos são intensos lá. Infelizmente há relatos de mais corpos", disse o sargento Eduardo, do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

O terreno acidentado onde estavam as casas arrastadas pela terra que desmoronou já abrigou um aterro sanitário. A estimativa é de que foram deslocados 600 metros quadrados de terra. As equipes de resgate usam retroescavadeiras para retirar a terra do local.

"A informação que tínhamos era de um grande deslizamento. Subi o morro e comecei a sentir um cheiro estranho. Quando acendi a lanterna, vi que estava em cima de lixo", disse o secretário de Saúde e Defesa Civil do Estado, Sérgio Côrtes, na noite de quarta.

"Os moradores disseram que isso era um aterro sanitário. As casas foram construídas sobre o aterro", acrescentou o secretário, que acompanhava as buscas e alertou para o risco de contaminação pelas condições do terreno.

O governo federal anunciou nesta quinta que vai liberar 200 milhões de reais para o Estado. O pedido do Rio de Janeiro era por 370 milhões de reais.

Serão 90 milhões de reais para a capital e 110 milhões de reais a serem destinados aos municípios de Niterói, São Gonçalo e demais cidades atingidas pelas enchentes.

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse que o governo poderá liberar o FGTS das vítimas das chuvas, como foi feito no caso das enchentes em Santa Catarina, em 2008.

Um contingente de 150 homens do Corpo de Bombeiros e cerca de 40 da Força Nacional de Segurança trabalham nos esforços de resgate.

SUSPEITA DE ARRASTÃO

Com a tragédia no Morro do Bumba, subiu para 89 o número de mortos pelas fortes chuvas em Niterói desde a segunda-feira. Na capital 51 pessoas morreram afetadas pelo temporal, em São Gonçalo 16 e Nilópolis, Paracambi, Petrópolis e Magé registraram uma morte cada.

Durante a tarde, uma suspeita de arrastão no centro de Niterói, que a princípio não foi confirmada pela polícia, levou comerciantes a fecharem suas lojas e causou medo na população que caminhava pelas ruas.

"Houve um boato de que haveria arrastão no centro, em Icaraí e no Fonseca. A população ficou temerosa e o comércio fechou as portas, mas não há nada de concreto", disse o tenente Toledo, da Polícia Militar, que fazia guarda portando um fuzil numa esquina no centro da cidade.

O temporal que provocou tragédia no Estado do Rio começou a cair no final da tarde de segunda-feira e levou o caos à capital, que praticamente parou na terça-feira. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), somente na terça-feira choveu mais do que o esperado para todo o mês de abril na cidade.

A maioria das mortes aconteceu em regiões de encostas e áreas de risco. Outros deslizamentos menores foram registrados na capital também nesta quinta-feira.

(Reportagem adicional de Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier, no Rio, e Eduardo Simões, em São Paulo)

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