Bombeiros buscam vítimas de tragédia em Niterói, mortos são 154

Por Maria Pia Palermo RIO DE JANEIRO (Reuters) - Equipes de resgate trabalhavam intensamente há mais de 16 horas em um cenário de destruição em Niterói, onde um deslizamento provocado pelas chuvas soterrou na noite de quarta-feira casas construídas numa área onde existia um lixão desativado.

Reuters |

As chuvas que atingem o Rio de Janeiro desde segunda-feira deixaram ao menos 154 mortos, a maioria devido a deslizamentos. O número de vítimas da tragédia deve subir nas próximas horas, pois dezenas de pessoas ainda estão desaparecidas após o desmoronamento que atingiu 50 casas no Morro do Bumba, em Niterói, cidade que registrou maior número de mortos em todo o Estado.

"Moravam cerca de 200 pessoas, mas não temos como estimar quantas estavam no local e podem estar soterradas", disse à Reuters por telefone o vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que estava no local do desastre, onde voltou a chover forte no fim desta manhã.

Além de residências, foram soterrados estabelecimentos comerciais, creches e igrejas. Sete corpos foram retirados dos escombros até a manhã desta quinta-feira.

"Foi uma tragédia grave, e os trabalhos são intensos lá. Infelizmente há relatos de mais corpos", disse o sargento Eduardo, do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

O terreno acidentado onde estavam as casas arrastadas pela terra que desmoronou já abrigou um aterro sanitário. A estimativa é de que foram deslocados 600 metros quadrados de terra. As equipes de resgate usam retroescavadeiras para retirar a terra do local.

"A informação que tínhamos era de um grande deslizamento. Subi o morro e comecei a sentir um cheiro estranho. Quando acendi a lanterna, vi que estava em cima de lixo", disse o secretário de Saúde e Defesa Civil do RJ, Sérgio Côrtes, na noite de quarta.

"Os moradores disseram que isso era um aterro sanitário. As casas foram construídas sobre o aterro", acrescentou o secretário, que acompanhava as buscas e alertou para o risco de contaminação pelas condições do terreno.

O governo federal anunciou nesta quinta que vai liberar 200 milhões de reais para o Estado, castigado pelas chuvas intensas desde o início da semana. O pedido do Rio de Janeiro era por 370 milhões de reais.

Serão 90 milhões de reais para a capital e 110 milhões de reais a serem destinados aos municípios de Niterói, São Gonçalo e demais cidades atingidas pelas enchentes.

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse que o governo poderá liberar o FGTS das vítimas das chuvas, como foi feito no caso das enchentes em Santa Catarina, em 2008.

Um contingente de 150 homens do Corpo de Bombeiros e cerca de 40 da Força Nacional de Segurança trabalham nos esforços de resgate.

Com a tragédia no Morro do Bumba, subiu para 86 o número de mortos pelas fortes chuvas em Niterói desde a segunda-feira. No Rio de Janeiro 48 pessoas morreram afetadas pelo temporal, em São Gonçalo 16 e Nilópolis, Paracambi, Petrópolis e Magé registraram uma morte cada. Mais de 15 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas no Estado.

"Gostaria de ser solidário ao povo de Niterói, que vive uma grande tragédia, e isso serve para reforçar o meu apelo para que as pessoas deixem áreas de encosta e de risco, porque ali era uma área com essas características", disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB).

O temporal que provocou tragédia no Estado do Rio começou a cair no final da tarde de segunda-feira e levou o caos à capital, que praticamente parou na terça-feira. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), somente na terça-feira choveu mais do que o esperado para todo o mês de abril na cidade.

A maioria das mortes aconteceu em regiões de encostas e áreas de risco. Outros deslizamentos menores foram registrados na capital também nesta quinta-feira.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio, e Eduardo Simões, em São Paulo)

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