Bolsa de políticos lança ações de candidatos à presidência

A Bolsa de Valores Políticos (Bovap), iniciativa da corretora de valores Souza Barros, lança ao longo desta semana ações referentes às imagens dos pré-candidatos à presidência. Cada potencial candidato teve seu preço inicial formado a partir da avaliação de 20 pessoas nas ruas. Elas avaliaram a ética, o histórico e as realizações do candidato com notas de 1 a 10. A nota média é o valor inicial da ação. Cada candidato a presidente começa na Bovap vinculado a 300 mil ações.

iG São Paulo |

As ações da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à sucessão presidencial, e do deputado federal Ciro Gomes (CE), pré-candidato do PSB, já estão sendo negociadas na Bovap. Dilma, que teve seu preço inicial avaliado em apenas 15 UVPs (Unidades de Valor Político), hoje foi negociada a 78 UVPs. Ciro Gomes, cujo preço inicial foi de 16,85 UVPs, foi negociado nesta quinta-feira a 65 UVPs.

O governador de São Paulo, José Serra, provável candidato do PSDB à presidência, e a senadora Heloísa Helena, pré-candidata do Psol, tiveram as reserva de papéis da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), abertas na quarta-feira e serão colocadas no mercado na quarta-feira da semana que vem. Serra começará a ser vendido por 18,25 UVPs, abaixo do valor inicial de Heloísa, avaliada em 19,55 UVPs.

As ações das imagens públicas da senadora Marina Silva, pré-candidata do PV, e do presidente do PSTU, José Maria de Almeida, o Zé Maria, pré-candidato do partido, serão lançados na semana que vem.

"Decidimos fazer de dois em dois porque se lançássemos tudo ao mesmo tempo teríamos uma enxurrada de ações. Com muitas ações, entra muito papel e pouco dinheiro, explica o presidente da corretora, Carlos Souza Barros. O critério adotado para a inclusão foi a ordem alfabética dos nomes dos candidatos.

Antes dos presidenciáveis, a Bovap já havia lançado ações dos candidatos ao governo de São Paulo. Na primeira semana de abril, a Bovap começará a comercializar ações de políticos do Rio de Janeiro. Na sequência, serão incluídos os Estados da Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, de acordo com o presidente da corretora.

Como funciona

A Bovap estreou no dia 9 de março e reúne cerca de 3 mil investidores online, segundo Souza Barros. Para participar da "brincadeira" basta se cadastrar no endereço www.bovap.com.br . De início, os participantes recebem crédito de 50 mil UVPs, moeda fictícia, para montar sua carteira de políticos. O simulador usa a lógica do mercado financeiro e conta com todos os mecanismos de um ambiente de operação de verdade, inclusive com uma ferramenta para negociação online, o home broker.

No site o investidor tem acesso ainda a um prospecto dos políticos, com dados pessoais, informações políticas, curiosidades e os fatores de risco de aplicar em cada candidato, como envolvimento em escândalos de corrupção. A página abriga ainda relatórios de análise - fundamentalistas e grafistas - do quadro político, do desempenho do Ibovap e de cada ativo da bolsa.

A Bovap pretende cumprir também uma função de xerife do 'mercado de políticos', cobrando explicações dos candidatos sobre qualquer movimento brusco das ações a que estão vinculados, como supervalorizações e suspeitas de "inside information" (informação privilegiada).


A Bovap pretende cumprir também uma função de xerife do 'mercado de políticos', cobrando explicações dos candidatos sobre qualquer movimento brusco das ações a que estão vinculados, como supervalorizações e suspeitas de "inside information" (informação privilegiada).

Souza Barros acredita que a iniciativa, além de estimular a entrada de investidores pessoa física no mercado financeiro, contribui para o debate político neste ano eleitoral. "Ou o eleitor brasileiro discute política tão apaixonadamente quanto futebol ou trata o assunto como um tabu", disse Souza Barros. "A Bovap ajuda as pessoas a perderem o medo de investir em ações e leva a uma conscientização política, pois, antes de investir ou escolher um representante, é preciso pesquisar e pensar bem."

*Com Agência Estado

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