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Bolívia relembra a vida de Hans Ertl, o fotógrafo de Hitler

Javier Aliaga. La Paz, 5 out (EFE) - Conhecido como o fotógrafo de Hitler, apesar de não gostar do apelido, o alemão Hans Ertl foi um aventureiro, um ermitão e um homem que venerou com religiosidade as selvas da Bolívia, e tem sua vida lendária recuperada no centenário de seu nascimento. Ertl (Alemanha, 1908 - Bolívia, 2000) ficou famoso como correspondente de guerra na campanha na África do marechal Erwin Rommel, a quem considerava um ídolo, e por seu trabalho como cinegrafista de Leni Riefensthal, a célebre cineasta alemã que exaltou os nazistas e de quem foi amante. No entanto, poucos conhecem esse alemão que viveu meio século na Bolívia, sua segunda pátria, entre os Andes e a Amazônia, em uma peripécia de expedições, cinema, culto religioso à natureza e criação de gado. Fotógrafo de Hitler, não. Ele era fotógrafo do marechal Rommel.

EFE |

Amante de Leni, sim, porque meu pai era um mulherengo", afirma, com resignação, sua filha Beatriz, de 63 anos, em entrevista à Agência Efe em sua casa de La Paz, onde conserva parte das velhas fotos do pai.

As imagens de juventude mostram um Ertl atleta, com aspecto de galã, sempre fotografando, às vezes nas montanhas, e inovando com novas técnicas, como fez no filme "Olympia" e nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, sob a direção de Riefensthal.

Na velhice, Ertl ainda exibia uma esmagadora personalidade e lucidez, como mostra um documentário sobre sua vida produzido pelo antropólogo Jürgen Riester em 1996 e ao qual a Efe teve acesso.

No vídeo, o próprio Ertl assegura que não foi membro do Partido Nazista, mas que foi recrutado à força como correspondente para a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

"Nunca gostou de ser chamado de nazista, ele não tinha nada contra os nazistas, nada contra os judeus. Era uma pessoa muito pacífica", comenta Beatriz.

Porém, na Segunda Guerra Mundial, foi admirador de Rommel, de quem era fotógrafo oficial: "Sempre será um ídolo para mim, um homem como Rommel também foi respeitado por (o marechal Bernard) Montgomery e outros como um grande general do Exército inimigo", sustentou Ertl.

No vídeo, o fotógrafo não revela se teve um relacionamento com Riefensthal, como diz sua filha, mas se refere a ela como "uma mulher extraordinária", e a defende dos boatos de que teria tido um caso com Hitler.

"Por razões políticas, um homem como Hitler jamais teria se permitido, nessa época, um relacionamento com uma senhora como Leni Riefensthal", afirma Ertl.

Gênio e com personalidade forte, aos 88 anos, o já idoso, mas incansável Ertl, afirmou a esse documentário que seu desejo era morrer nos braços de uma jovem alemã e que "a receita para a velhice é o sexo", embora também desejasse um coração que batesse por ele.

Sua filha conta que a vida sentimental do fotógrafo esteve sempre presente em suas conversas e que citava, de forma particular, uma façanha amorosa: "Ele se lembrava de ter feito amor a oito mil metros de altura, no Himalaia".

Ertl chegou à Bolívia em 3 de março de 1950, assim como outros nazistas, e sua vida ficou definitivamente entrelaçada ao país, particularmente à região de Santa Cruz, onde tinha uma fazenda, La Dolorida.

Ertl fez várias expedições nos Andes e na Amazônia, fez filmes como "Paititi" e "Hito Hito" e, após perder uma produção, "Surazo", que, em 1960, caiu em um rio junto com seu veículo, abandonou a fotografia e o cinema, segundo Beatriz.

Então, se transformou em um ermitão, isolado em La Dolorida, dedicado à criação de gado e à proteção da fauna e flora, além da veneração à Amazônia.

"Tenho a sensação de ser parte desta criação, deste universo" e de "ser um pagão crente na criação", afirmava Ertl, a quem os indígenas chamavam de "Juan, o velho barbudo de La Dolorida, o gringo raro, o louco, o escritor...".

Ele ficou encantado com a simplicidade dos bolivianos, sobre a qual disse, com romantismo, que tinham um "incrível elemento incorrupto", consistente em ser "como joão-bobo", que, apesar de serem jogados para todos os lados, sempre ficam de pé.

O fotógrafo viveu seus últimos anos com a filosofia de que tudo é emprestado e deve voltar à mãe terra. De fato, ele continua enterrado em La Dolorida, apesar de a fazenda ter sido passada à frente.

Ertl teve uma esposa, que morreu na Bolívia, e três filhas: Beatriz, Heidi, que atualmente vive na Alemanha, e Monika, "sua preferida", uma militante subversiva com vida de novela.

Isso porque Monika Ertl foi, no começo dos anos 1970, a mulher mais procurada na América, após ter assassinado um diplomata boliviano que supostamente participou da mutilação das mãos do guerrilheiro Ernesto Che Guevara.

Mas essa é outra história, que também será levada ao cinema por uma produtora alemã. EFE ja/wr/db

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