`Bola¿ teria envolvimento com grupo de extermínio montado por policiais civis

Corregedoria vai apurar como um ex-policial, expulso por indisciplina em 1992, dava treinamentos para o grupo de elite

Alessandra Mendes, especial para o iG |

Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, suspeito de ter assassinado Eliza Samudio, é investigado também por envolvimento com um grupo de extermínio montado por policiais civis do GRE (Grupo de Resposta Especial), a tropa de elite da corporação. A denúncia foi feita no ano passado por Júlio César Monteiro, ex-chefe da divisão – e irmão do chefe da Polícia Civil mineira, Marcos Aparecido.

A corregedoria, que investiga o caso, vai apurar também como um ex-policial, expulso por indisciplina em 1992, dava treinamentos para o grupo de elite da corporação. A chefia da Polícia Civil também não explicou por que o GRE usava o sítio de Bola em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, como local de treinamento – e se isso era feito de forma não-oficial.

A prisão de Bola trouxe à tona novamente denúncias antigas que envolvem crime e corrupção na polícia. As informações dão conta de que uma construção de madeira chamada de "casa de matar" no sítio de Bola seria usado como local para prática de execuções. Até o momento a corregedoria encontrou elementos para iniciar a investigação de dois homicídios, que teriam ocorrido no final de 2008 no sítio. A polícia não revelou as identidades das vítimas, que teriam sido assassinadas pelos policiais civis e teriam tido os corpos esquartejados e incinerados. Pedaços dos corpos ainda teriam sido jogados para cães, segundo as denúncias.

No sítio do ex-policial civil, chama a atenção um contêiner com a logomarca da Polícia Civil e da antiga Secretaria de Segurança Pública fechado com cadeados. Lá dentro existem pedaços de madeira e manequins usados como alvos para a prática de tiro. Alguns, ainda não utilizados. Dois veículos sem placas e repletos de marcas de tiros também fazem parte do cenário.

Em um barranco, a sigla GRE foi desenhada na terra e uma cabeça de boi pendurada em um pedaço de madeira tem lugar de destaque. Vários pneus estão dispostos no terreno, em um deles, caixas cheias de munição deflagrada. Há cartuchos de pistolas de vários calibres, e até de fuzil.

O GRE foi criado em 2004 para ser a tropa de elite da polícia civil mineira. Em cinco anos de atividade, cinco delegados já estiveram no comando do grupo. Em decorrências das denúncias feitas no ano passado, 8 dos 30 policiais que compõe o grupo já foram afastados.

    Leia tudo sobre: BolaPolícia MilitarMinas Gerais

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG