BNDES diz que ainda não foi notificado sobre desvios

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que ainda não recebeu nenhuma notificação sobre a Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, que investiga desvio de recursos em financiamentos da instituição financeira estatal, mas também não procurou informações junto ao órgão do Ministério da Justiça. A operação chegou a prender temporariamente o advogado Ricardo Tosto, então integrante do Conselho de Administração do BNDES, que tinha sido indicado para o cargo pela Força Sindical.

Agência Estado |

Tosto renunciou ao cargo depois de solto.

De acordo com o banco, foram suspensos os desembolsos de duas operações de empréstimo referentes à prefeitura de Praia Grande e às lojas Marisa, que somam cerca de R$ 350 milhões e que estão sob investigação da PF. A suspensão, segundo relatou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, foi feita "prudencialmente e transitoriamente", já que ainda não havia informação oficial da PF. A instituição informou que apenas essas duas operações estão com suas liberações suspensas, apesar de notícias de que outras operações também estariam sob suspeita da Polícia Federal na mesma operação.

Coutinho contou que o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse a ele, em uma breve conversa, que funcionários do banco não estariam envolvidos em irregularidades. A presença do noticiário policial envolvendo o banco está causando desconforto junto aos funcionários, segundo informou um técnico da instituição. Há, inclusive, um movimento interno para que a diretoria faça um pronunciamento mais incisivo sobre a eventual participação de funcionários em irregularidades nesse tipo de operação.

Os técnicos do banco têm informações de que algumas consultorias anunciam "facilidades" junto ao banco para tentar valorizar os seus serviços junto aos clientes. "O processo de aprovação é colegiada, o que dificulta acertos indevidos", comentou o técnico. Ele reconhece, porém, que houve uma desestruturação nos processos internos nos últimos anos, após as mudanças introduzidas no corpo gerencial, especialmente durante a gestão do ex-presidente Carlos Lessa. "As mudanças foram muito intensas e muito rápidas e alguma coisa no processo pode ter se perdido", complementou o técnico.

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