Bispo ameaçado diz que é vítima de policiais corruptos

SÃO PAULO - D. Flávio Giovenale, da Diocese de Abaetetuba, no Pará, diz acreditar que policiais corruptos seriam os resposáveis pelas ameaças de morte feitas contra ele desde o começo do ano. Apesar disso, ele não pretende deixar o local. Segundo a CNBB, d. Flávio e outros dois religiosos estariam sofrendo perseguição e ameaça de morte por seu trabalho de defesa aos índios e da floresta amazônica.

Juliana Simon, do Último Segundo |

Segundo o bispo, as últimas ameaças acontecem "desde o caso da menina presa com outros homens, quando a governadora disse que todos os policiais seriam trocados". A Diocese de Abaetetuba prestou apoio ao Conselho Tutelar durante as investigações do caso. Além de d. Flávio, duas conselheiras também estão sofrendo preseguições.

O problema, no entanto, é constante, segundo o religioso. "Em 1998, quando cheguei a Abaetetuba, os traficantes de drogas incendiaram a prefeitura e a Câmara dos Vereadores e ameaçaram quem protege a população contra eles", afirma. Durante dez anos, outras ameaças ocorreram, mas não foram consideradas tão graves pelo bispo.

"No final de janeiro deste ano, mataram uma pessoa na cidade e me ligaram dizendo que eu seria o próximo". Depois disso, d. Flávio começou a ser protegido pela polícia, no que ele classificou de proteção média. "Não estamos com policiais todo o tempo, mas temos seus contatos no caso de alguma emergência".

"Deixar tranqüilo não deixa. A recomedação policial é que eu comece a levar à sério as ameaças. Às vezes nãoa creditamos que realmente possa acontecer, mas e se for sério?", diz o religioso.

Para ele, seu caso é mais leve que o de Dorothy Stang, missionária morta em fevereiro de 2005, pois "havia uma hostilidade local contra Dorothy". No caso de Abaetetuba, d. Flávio afirma que sempre contou com o apoio da população.

Apesar do perigo, d. Flávio afirma que não quer sair de Abaetetuba. "Se o Vaticano pedir que eu saia, eu saio, mas não vou pedir para sair", afirma.

Outros ameaçados

Além de Dom Flávio, d. Erwin Krautler, da Prelazia do Xingu e d. José Luiz Azcona Hermoso, da Prelazia do Marajó, também estão sofrendo ameaças de morte. Nesta quinta-feira, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota declarando apoio aos religiosos e exigindo investigações sobre o caso.

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