Bioinseticida natural ganha eficiência com nanotecnologia

Repelente biodegradável já está em teste contra a malária

Chris Bertelli, iG São Paulo |

A melhor forma de prevenção contra a malária ainda é fugir da picada do mosquito transmissor anopheles, usando calças ou blusas compridas, ou tentar combatê-lo com o uso de repelentes e evitando o acúmulo de água parada, a fim de impedir o nascimento de novos mosquitos.

A cada ano, são registrados 250 milhões de casos e um milhão de mortes causadas pela doença, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. A cada 30 segundos, uma criança morre vítima da malária. No Brasil, a região amazônica é a mais atingida e concentra 99,5% dos casos.

Uma parceria entre o Centro de Nanotecnologia da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, e o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) busca solução para esse grave problema.

Utilizando-se de vários ativos descobertos na própria flora amazônica, os pesquisadores tentam produzir materiais de alta repelência e tratá-los com  a nanotecnologia, que consegue reduzir as moléculas de cada composto a escalas 90 mil vezes menores do que o diâmetro de um fio de cabelo.

“A ideia é substituir os inseticidas utilizados hoje por produtos biodegradáveis, com extratos naturais. Eles são manipulados no Centro, desenvolvidos com nanotecnologia, em formato de creme, e encaminhados para Manaus, onde estão sendo feitos os ensaios de campo”, relata Antonio Claudio Tedesco, coordenador do Centro de Nanotecnologia.

Repelentes com princípios naturais são conhecidos há anos, mas têm proteção garantida por apenas duas horas, em média. Com o tratamento nanotecnológico, no entanto, o tempo de eficácia do produto é prolongado, podendo chegar a oito horas. Além disso, a área coberta pelo produto é maior do que aqueles que não contêm essa tecnologia.

“Quando você diminui o tamanho da molécula, você aumenta o número delas por área de superfície”, explica Tedesco. Traçando um paralelo, podemos comparar com tentar estacionar o carro na rua. Quanto menores forem os carros, mais veículos caberão em um mesmo espaço.

A utilização pode ser diversa. “Os mosquitos transmissores da malária atacam no final da tarde. A pessoa pode aplicar o repelente, mas já pensamos em uma formulação para ser aspergida no ambiente e no mosquiteiro”, afirma Tedesco.

Fim do mosquito

Avançando nessas pesquisas, Tedesco já pensa em turbinar a substância. “Por que não associar a estimulação por luz nesses casos? Poderíamos enganar o mosquito. Fazendo com que ele receba esses elementos fotoativos, quando sair ao sol, ele morre”, explica. Além disso, os pesquisadores analisam a utilização do mesmo processo no combate à dengue.

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