Biografias estão se formando e firmando no Brasil, diz Ruy Castro

CURITIBA ¿ Um gênero que está se formando e firmando no país. É desta maneira que Ruy Castro, um dos mais relevantes nomes da literatura brasileira atual, refere-se à sua especialidade: as biografias. Ele esteve presente, ao lado do também escritor Arnaldo Bloch, em uma das atrações mais esperadas de toda a I Bienal do Livro de Curitiba, o grande debate sob o tema ¿Biografias: vida privada pública, bisbilhotice, marketing, exemplo, história?¿, realizado nesta terça-feira (1º).

Luiz Felipe Marques, especial para Último Segundo |

Divulgação

Ruy Castro, o moderador Irinêo Neto e Arnaldo Bloch debatem em Curitiba

Autor de livros como A Estrela Solitária: Um brasileiro chamado Garrincha e O Anjo Pornográfico: A vida de Nelson Rodrigues, Castro acredita que as biografias já possuem um bom espaço no Brasil, porém isso ainda podem melhorar, o que depende, em grande parte, dos autores. Para continuar num bom desenvolvimento do gênero, são necessários mais escritores trabalhando com o objetivo de fazer biografias em cima de informações e não em suposições e ficção.

Segundo ele, muitos trabalhos se encaixam no que ele chama de biografia de fã, que seriam obras com pouco conteúdo histórico pesquisado e que se utilizam, essencialmente, do afeto por personalidades.

De qualquer forma, o escritor também dá destaque a livros relevantes produzidos no Brasil, com qualidade comparável às obras feitas nos Estados Unidos e na Inglaterra, países nos quais o gênero é bem consolidado. Como exemplo recente, Ruy Castro cita o trabalho Maysa: Só numa multidão de amores, do cearense Lira Neto.

Por primar pela longa pesquisa de seus personagens e afirmar que não escreve biografias de pessoas ainda vivas, Castro foi perguntado se escrever uma autobiografia nunca faria parte de seus planos. Respondeu em forma de brincadeira: Não, eu não faria. Ia acabar mentindo muito.

Também presente no debate, Arnaldo Bloch falou de seu último livro, Os Irmãos Karamabloch, o qual faz um retrato de sua família, dona do antigo império de comunicação que incluía a revista e a TV Manchete, sob os irmãos Adolpho, Boris e Arnaldo Bloch (avô do autor).

Mesmo sem se considerar estritamente um biógrafo ¿ mas um escritor que utiliza recursos deste gênero ¿, Bloch fez um longo trabalho de pesquisa para a produção de Os Irmãos..., assim como para o livro Fernando Sabino, um perfil detalhado do escritor mineiro.

Bloch deixa claro, no entanto, que seu estilo segue um caminho híbrido, contendo traços de diferentes gêneros. Gosto dessa diversidade. Passo pela biografia, pelo romance, pelo jornalismo. É isso o que eu busco em meus livros, sentencia.

Bienal hoje

Nesta quarta-feira (2), entre os principais eventos do dia está o bate papo com o escritor catarinense Cristóvão Tezza, a partir das 15h.

Às 19h30, tem início a mesa redonda Novo milênio, novos leitores, nova literatura?. Entre os debatedores estão Domingos Pellegrini, Clarah Averbuck  e Carlos Herculano Neto.

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