Bienal de SP expõe 50 anos da Bossa Nova

SÃO PAULO - O parque do Ibirapuera está em clima bossa nova. Com duas exposições, uma na OCA e outra gratuita na Bienal, os paulistanos poderão apreciar uma vasta seleção de áudios, vídeos, capas de álbuns, fotografias e figurinos sobre este gênero musical.

Redação com Reuters |

Em 1958, quando o Brasil ganhava sua primeira Copa do Mundo e Juscelino Kubitschek construía Brasília com as formas curvas e modernas de Niemeyer, João Gilberto criava um novo gênero musical com a interpretação de Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Depois, a bossa nova teria influência direta sobre os músicos da MPB e seria consagrada mundialmente com a gravação de Sinatra & Tom, em 1967.

A partir desta terça-feira, o parque do Ibirapuera terá duas grandes exposições sobre o tema. "Bossa na Oca" e Bossa50. 

Desde 8 de julho, Bossa na Oca apresenta quatro filmes, seis jukeboxes com 60 canções, 30 vinis originais e até mesmo um show virtual. O objetivo é contar a história do gênero nascido no Rio de Janeiro.

A mostra Bossa50 também terá muitos elementos interativos. Seleções de áudio, vídeos, capas de álbuns, móveis inspirados no gênero, fotografia e figurinos.

Segundo o curador Walter Garcia, a intenção é contar a história da bossa nova de uma maneira bem ampla. Fomos buscar material desde a década de 30, quando o país se industrializava e o samba-canção surgia. Para isso, selecionaram músicas como O que será de mim, de Mário Reis e Francisco Alves, e São Nossas Coisas, de Noel Rosa, de 1931 e 1932, respectivamente. A música mais recente é Subúrbio, lançada em 2006 por Chico Buarque. Para ele, A famosa batida do João Gilberto é uma recriação do samba.

Para ele, a bossa nova não deve ser entendida como música carioca. "A bossa não é exclusiva do Rio. O maior ícone dela (João Gilberto) é prova disto", afirmou.

O curador procurou montar uma linha do tempo que demonstrasse a relação entre a bossa nova e os movimentos e gêneros musicais criados posteriormente, como as músicas de protesto e a MPB. Geraldo Vandré, Carlos Lyra e muitos outros sofreram influencia direta da bossa nova.

Capa do álbum
Capa do álbum "À vontade", de Baden Powell

Dentre os arquivos, há uma seleção de capas de discos feita pelo titã Charles Gavin. Artistas gráficos, como Cesar Vilela (designer da gravadora Elenco) estão representados em LPs memoráveis, objetos de uma arte que marcou época e ainda dá frutos. Destaque para a coleção de capas de vinil de Caetano Rodrigues, única do gênero.

Há também seções de fotos, vídeos, moda e design. Na seção de moda, o estilista Ronaldo Fraga, que elegeu Nara Leão como inspiração de uma das suas coleções, volta ao tema. Reinterpretando a Bossa Nova, o mineiro criou vinte figurinos exclusivos inspirados em canções do estilo musical, escolhidas por ele: "Insensatez", "Corcovado", "Bonita", "Estrada do Sol", "Desafinado", "Minha Namorada", "Sabiá", "O Barquinho", entre outros.

Bossa na Oca

Ao lado da Bienal, na OCA, corre em parelo a "Bossa na OCA".

Quatro filmes, seis jukeboxes com 60 canções, 30 vinis originais e até mesmo um show virtual vão ajudar a contar a história do gênero musical que nasceu no Rio.

"Não queremos fazer uma exposição saudosa, nostálgica.Estamos aqui celebrando", alertou um dos diretores da mostra, o artista Marcello Dantas, lembrando uma das canções que lançaram a bossa nova, "Chega de Saudade", de João Gilberto, em 1958.

Só o ano de 1958 já daria uma grande mostra. De fato, ele ocupa boa parte do andar térreo da Oca. Foi em 1958 que o Brasil viu surgir Pelé e a primeira vitória na Copa do Mundo, quando a arte e a arquitetura brasileira tomavam fôlego, assim como a indústria automobilística, a política e a economia do país.

"No fundo, todas essas coisas estavam pedindo uma trilha sonora. Você já tinha uma imagem, que era a própria arquitetura e a arte, já tinha uma mudança de comportamento, um outro espírito de liderança, e faltava só a trilha", disse Dantas.

Logo na entrada da exposição, um fusca preto conversível de 1961 - o carro começou a ser fabricado no país em 1958 - dá as boas-vindas aos visitantes. Na sequência, surgem obras de arte e outras referências daquela época, como cartazes de filmes, além de uma grande linha do tempo em uma bancada com 60 metros de extensão.

Bossa 50
Data: 15 de julho a 24 de agosto de 2008.
Local: Pavilhão da Bienal de São Paulo (Parque do Ibirapuera)
Horário de funcionamento: 10h às 20h, terça a domingo.
Entrada Gratuita

Bossa na Oca
Data: 8 de Julho a 7 de Setembro - terça a domingo, das 10h às 21h
Pavilhão Engenheiro Lucas Nogueira/OCA - Av.Pedro Alvares Cabral, s/n Portão 03
R$10 a R$20 (às terças a entrada é gratuita)
Informações: 11  4003-2050

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