VENEZA ¿ Em sua 53ª edição, a Bienal de Arte de Veneza procura conservar o mesmo magnetismo dos mais de 100 anos de história do evento em uma mostra com ampla presença ibero-americana e na qual a pintura cede espaço a outras formas de representação artística.

Esse magnetismo ficou patente hoje na apresentação da Bienal no discurso do diretor da mostra, o sueco Daniel Birnbaum, que deu início a três dias de atos e inaugurações oficiais até a grande abertura ao público, que acontecerá no domingo.

A Bienal de Veneza, que fica aberta até 22 de novembro, "foi a mãe de todas as bienais" e, nesta ocasião, "pretendemos conservar o magnetismo de todos estes anos", disse Birnbaum sobre o evento, que foi organizado pela primeira vez em 1895.

O que poderá ser visto no festival, acrescentou, "são coisas novas, embora seu conceito não seja de todo novo. As obras se apresentam em diálogo com este belo lugar", cujo centro será a arte em si mesmo, "o mundo que os artistas criaram".

Sob o título de Fare Mondi ("Criar Mundos"), a 53ª edição da Bienal de Arte de Veneza oferecerá a especialistas e visitantes a possibilidade de ter acesso à obra dos máximos representantes da arte contemporânea de 77 países e de mais de 90 artistas.

Nesta sexta-feira o destaque é o Pavilhão Latino-americano, que apresentará oficialmente as propostas artísticas de Bolívia, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Peru, República Dominicana e Costa Rica.

Outros países têm pavilhões próprios, entre eles Brasil, Chile, Uruguai, Venezuela, Argentina e México. Eles representam uma arte latino-americana que faz com que, neste vai-e-vem de artistas e especialistas no qual a cidade italiana se transformou, se ouça muito português e espanhol.

Veneza é, desde hoje, sinônimo de arte. Dentro disso também se encontra a comunidade autônoma espanhola da Catalunha, que participa com uma instalação própria na seção dos Eventi Collaterali, que será apresentada oficialmente amanhã pelo vice-presidente regional, José Luis Carod-Rovira.

"O título da mostra, Fare Mondi, expressa meu desejo de enfatizar o processo de criação. Uma obra de arte representa uma visão do mundo e, se levada a sério, pode ser vista como um modo de criar um mundo", declarou Birnbaum.

Ferramentas que vão desde as composições audiovisuais até as criações de luz, passando por técnicas mais tradicionais como a pintura ou a cerâmica, suportes com os quais Barceló trabalhou e que são os protagonistas do Pavilhão da Espanha.

Neste sentido, o comissário do Pavilhão espanhol, Enrique Juncosa, diretor do Museu Irlandês de Arte Moderna de Dublin (IMMA), disse hoje que é pouca a pintura que decora as paredes da Bienal de Arte, fruto, afirmou, das decisões dos responsáveis das exposições.

Nestes três dias que antecedem a abertura ao público da Bienal de Arte também haverá tempo para a entrega de prêmios, como o Leão de Ouro à carreira da japonesa Yoko Ono, que acontecerá no sábado.

(Reportagem de Miguel Cabanillas)

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