Bienal de Arte de Pequim reúne 25 artistas latino-americanos pela primeira vez

PEQUIM ¿ A Bienal de Arte de Pequim de 2009 reunirá, pela primeira vez, 25 jovens artistas latino-americanos, entre eles a brasileira Antonia Dias Leite, e será realizada até o dia 12 de setembro na capital chinesa.

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Obra do artista colombiano Carlos Motta será exibida na Bienal da China

Segundo os comissários da mostra, os chilenos Nicolás e Katiushka Arze, priorizaram, mais que a temática ou o histórico de exposições, "a consciência do ofício, linha de trabalho e conhecimentos da técnica já que, infelizmente, a arte jovem tende a ser frouxa em ofício e técnica".

"No processo, descobrimos que o termo 'artista latino-americano' é amplo demais e não há conexões evidentes e, por isso, foi seu impulso produtivo e sentido fundamental pelo trabalho o que nos levou a convidar, por exemplo, ao hondurenho Freddy Selva ou à uruguaia Silvina Arismendi", afirmou Nicolás.

Junto a eles, os colombianos Carlos Motta, Ícaro Zorbar, Martin Alfaiate, Carlos Bonil, Nicolás Costas e Lorena Kraus, exibem suas obras, além da argentina Tamara Kostianovsky, da peruana Maya Watanabe e da mexicana Ana Roldán, cuja composição de bandeiras chamada "Colômbia, Chile, Uruguai, México e Brasil" teve muito sucesso.

Cristóbal Cea, o casal Arze, Ariel Bustamante, Francisca Benítez, Carla Cari, Sebastián Malahut, Alejandro Moreno, Felipe Santander, Nicolás Grum, Aimara Zegers, Paula Anguita e Nicolás Rupcich, em colaboração com Emilio Marvin, são artistas chilenos.

Rupcich apresentou um vídeo em alta definição (HD) de seis minutos chamado "Grande Piscina", que mostra uma piscina de 8 hectares e 1.013 metros em San Alfonso del Mar, no Pacífico, em um centro de lazer privado e que está vazia a maior parte do ano.

"Com o arquiteto Emilio Marvin mostramos a artificialidade do espaço desenhado e como a imagem paradisíaca é vista pela mídia e pelo homem. Uma imagem de duplo efeito: ficção e artificialidade, idealizada sobre um lugar de férias e desde onde se contempla um duplo horizonte", disse Rupcich, à Agência Efe.

Os 69 desenhos que integram a obra "Linhas de Propriedade" (sinais que marcam a propriedade privada em ruas e diante de edifícios na cidade de Nova York), de Francisca Benítez, ocupam uma parede da galeria dedicada à arte contemporânea latino-americana na Bienal.

"Estou muito feliz em mostrar na China como a propriedade privada é sagrada nos EUA, com sinais às vezes muito pequenos, como o do Federal Hall National Memorial, em frente à Bolsa de Wall Street, lugar onde o ex-presidente George Washington jurou seu cargo", disse à Efe.

"A arte chilena não tem nada que invejar da chinesa, embora não tenha tanto mercado ou interesse", disse Arze, à Efe.

O casal Arze morou um ano e meio na China e organizou, em 2007, em Shanghai, a exibição "Chile e China SWEN", com 10 artistas chilenos e que levou o casal a ser convidado para a Bienal.

"Nós tínhamos chegado à arte visual em 2003 e, além de comissários, participamos das exposições com instalações de telas mínimas do tamanho de um iPhone, que permitem o público a se aproximar das obras", afirmou Arze.

A fundação criada por eles, com apoio do Governo e de empresas privadas chilenas, os permitiu estabelecer uma rede de artistas chilenos e chineses, que já obtiveram permissão residências na China para oito artistas do país sul-americano.

"Apoiamos a busca distinta e a dignidade artística dos artistas chilenos que, com outros latino-americanos, mostram a vanguarda e a sensibilidade especial de todo um continente", disse à agência Efe o embaixador do Chile na China, Fernando Reyes Matta.

Reyes Matta levou sua obra "Constelações" à atual edição da Bienal, "porque têm estrelas de todos os tamanhos, com luminosidades distintas e em distâncias diversas e o Chile é o país onde mais astrônomos observam o Universo".

"O diálogo artístico entre culturas fortalece as convicções próprias, abrindo os olhos a novas perspectivas", concluiu o embaixador.

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