RIO DE JANEIRO ¿ Para comemorar o centenário de morte de Machado de Assis, a Fundação Biblioteca Nacional inaugura, nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, a mostra ¿Machado de Assis: cem anos de uma cartografia inacabada¿. Essa é a segunda exposição sobre um dos maiores autores da literatura brasileira na cidade carioca. Desde junho, a Academia Brasileira de Letras (ABL) exibe também ¿Machado Vive!¿, com mobiliários e pertences pessoais do autor.

Acordo Ortográfico

Sob a curadoria do poeta Marco Lucchesi, Cem anos de uma cartografia inacabada reúne 200 itens, entre fotos, cartas, documentos manuscritos e periódicos da Biblioteca Nacional.

Foram um ano e meio de pesquisas no acervo da instituição, que, entre as relíquias, possui as primeiras edições dos livros de Machado e textos do autor nunca exibidos.

Se a biblioteca Nacional é um oceano, Machado é um continente vastíssimo. Quanto mais você se aprofunda, mais resta para saber sobre o autor, por isso é uma cartografia inacabada, explica Lucchesi.

                              - Divulgação

Machado de Assis aos 25 anos

Machado de Assis aos 25 anos



Entre os achados, estão fotografias da falecida esposa do escritor, Carolina Novais, quando jovem, que foram entregues à Biblioteca Nacional, dois meses antes do início da exposição.

Segundo Lucchesi, seu desejo é que a mostra seja republicana. Isto é, que todas as pessoas tenham acesso à obra de Machado de Assis. No entanto, o poeta diz que a exposição também é para ser aproveitada por críticos e estudiosos. A mostra é para o atendimento do público, mas também para os críticos, explica.

A exposição ficará aberta ao público até 8 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados, de 10h às 15h, no Espaço Cultural Eliseu Visconti, no prédio da Biblioteca Nacional (Rua México, s/nº - acesso pelo jardim). A entrada é gratuita.

Acervo Digital

Durante a abertura da exposição Machado de Assis: cem anos de uma cartografia inacabada, será lançada também a obra completa do autor em formato digital, sistematizadas no site especial do Ministério da Educação . Vale lembrar que toda a obra de Machado de Assis é de domínio público desde 1978, quando se completaram 70 anos do falecimento do autor.

Os livros de Machado de Assis, como Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, estão disponíveis por gênero dentro do site. Além das obras, há também informações sobre a vida e obra de Machado de Assis; teses e dissertações de autores contemporâneos sobre Machado; bibliografia; vídeos e uma relação de endereços eletrônicos que contêm material sobre o escritor. Ao todo, são 243 arquivos.

A versão digital das obras é resultado de uma parceria entre o Portal Domínio Público, do MEC, e o Núcleo de Pesquisa e Informática, Literatura e Lingüística (Nupill), da Universidade Federal de Santa Catarina.

Machado de Assis

Machado de Assis Joaquim Maria  nasceu em 1839, no Rio de Janeiro, filho de uma lavadeira e de um pintor. Mulato, era neto de escravos alforriados. Sem nunca ter freqüentado uma universidade, tornou-se um dos maiores autores brasileiros, leitura obrigatória de diferentes vestibulares pelo país. Foi romancista, contista, poeta, crítico literário e teatrólogo.

Entre as principais obras destacam-se: "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (1881), "Quincas Borba" (1892), "Dom Casmurro" (1900), "Esaú e Jacó" (1904), "Memorial de Aires" (1908); e as coletâneas de contos, "Papéis Avulsos" (1882), "Várias Histórias" (1896), "Páginas Recolhidas" (1906).

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