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Beto Richa defende estratégia de Serra e prega terceiro passo

O prefeito de Curitiba, Beto Richa, 44, deixará o cargo em 31 de março para concorrer ao governo do Paraná pelo PSDB. A definição de seu nome como candidato foi antecipada pelo diretório estadual, uma situação que contrasta com a vivida pelo seu partido em âmbito nacional, onde José Serra, governador de São Paulo, adia o anúncio de que será postulante à Presidência da República.

Marcelo Diego, iG São Paulo |

Prefeito mais bem avaliado entre nove capitais brasileiras, segundo o instituto de pesquisa Datafolha, Richa acha que as situações do PSDB estadual e nacional são incomparáveis e frutos de estratégias diferentes, embora deixe claro que colocar seu nome na rua evitou especulações e apressou as conversas sobre o arco de alianças que tentará construir para sua campanha.

Ainda assim, ele defende a estratégia tucana nacional, diz que era natural o crescimento da ministra Dilma Rousseff nas pesquisas, seja pela exposição que teve seja porque o caminho natural de quem está embaixo é subir, mas acredita que ainda há tempo de recuperar o terreno perdido.

Temos tempo de sobra para estabelecer a campanha. Para ele, a disputa deste ano deverá olhar para frente e fugir da armadilha de comparações de gestões. Temos que comparar os candidatos.

iG: O PSDB vive a angústia de ainda não ter candidato oficialmente anunciado. Enquanto isso, antecipou seu nome como pré-candidato ao governo no Paraná. O senhor, inclusive, já anunciou que deixa a Prefeitura no final do mês para concorrer ao cargo. O partido vive tempos diferentes? Por que para o Estado foi importante a pressa e nacionalmente é importante manter a postura de não anunciar o nome do Serra como candidato?
Beto Richa: São estratégias diferentes. Serra tem esta estratégia porque acredita que, se colocasse seu nome de maneira antecipada, poderia causar alguma indisposição na administração. Já no Paraná, o partido estava muito pressionado a dizer se teria candidatura própria. A cobrança partia de partidos com potencial de serem aliados. O diretório entendeu que era o momento de dar um indicativo pela candidatura própria, até porque um dos caminhos que se discutia era a possibilidade de apoio a Osmar Dias (PDT). Mas os filiados deram um indicativo claro de que era necessário antecipar o nome, deixar evidente a postura da candidatura própria. Foi uma opção, uma estratégia.

iG: Os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) cobraram publicamente que o governador José Serra (PSDB-SP) por adiar o anúncio de sua candidatura à Presidência, alegando que a indefinição prejudica o partido e o projeto eleitoral. O senhor é partidário dessas críticas?
Beto Richa: Eu respeito a estratégia adotada pelo governador José Serra de não querer antecipar a disputa eleitoral. O fato de a Dilma (Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência) crescer nas pesquisas eleitorais criou a dúvida sobre se estaríamos adotando o caminho errado. Mas eu não tinha dúvida nenhuma de que ela iria crescer, ainda mais com a exposição exagerada que teve na mídia. Candidato que está embaixo não tem outro caminho senão crescer. Por outro lado, nosso candidato praticamente não falou sobre eleição. A partir da oficialização de sua candidatura, Dilma terá com quem disputar e não tenho dúvida de que a diferença entre os dois ficará evidente e expressa nos institutos de pesquisa. Temos tempo de sobra para estabelecer a campanha. E não tenho dúvidas de que Serra é o melhor candidato, o mais bem preparado, com as propostas mais consistentes para mostrar ao eleitor.

iG: A antecipação de sua candidatura no Paraná criou um ruído em relação ao antigo aliado Osmar Dias (PDT), que pode se lançar candidato tendo o apoio do irmão, o senador Álvaro Dias, que é do seu partido, o PSDB. O senhor acha que essa situação ainda é reversível ou a situação está posta e a disputa política é inevitável?
Beto Richa: Na política, tudo é reversível. Porque ainda existem boa vontade, amizade, consideração, lealdade, respeito, liderança. Nosso tempo é diferente. Eu precisava sair do cargo. Agora, podemos nos dedicar a montar um arco amplo de alianças e ainda tenho esperanças de que possamos conversar.

iG: Com quem o senhor vai caminhar nesta disputa?
Beto Richa: Ainda é cedo para falar, mas posso dizer que estamos bastante otimistas com as conversas que já estão acontecendo. Temos a possibilidade de formar um amplo leque de aliados, reproduzindo os partidos que nos apoiaram na reeleição para a Prefeitura de Curitiba, incluindo aí setores importantes do PMDB.

iG: No roteiro do PSDB, está escrito que não só o senhor ganha a eleição no Estado, como será um puxador de votos para a candidatura presidencial. Esta vantagem em Estados no Sul e no Sudeste é vista como determinante para o projeto de vitória nacional. Qual é uma meta factível de diferença de votos no Estado? Como conquistá-la?
Beto Richa: Não vou me comprometer com um número certo, mas obviamente queremos abrir a maior vantagem possível no Estado. Vamos trabalhar com toda força, intensidade, ser um companheiro leal ao candidato José Serra. Acredito muito nos ideários deste partido, que meu pai (José Richa, ex-governador e ex-senador pelo Paraná, morto em 2003 aos 69 anos) ajudou a fundar. Eu acredito em nossas diretrizes e conheço o José Serra, um dos políticos mais preparados do país, que atuou com destaque em todos os cargos públicos que ocupou.

iG: Qual o discurso que o senhor acha que o PSDB deve adotar nacionalmente para enfrentar uma candidatura apoiada maciçamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem elevados índices de popularidade?
Beto Richa: Acho que não precisamos comparar governos. Devemos lembrar que o primeiro passo foi dado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o segundo pelo presidente Lula e Serra significa o terceiro passo. Ele é o candidato mais preparado para liderar os grandes avanços que o país está preparado para vivenciar. Temos que olhar para frente e não ficar comparando com este ou com aquele. Temos que levar a disputa exclusivamente para os candidatos Serra e Dilma. Quem é o mais preparado, quem é o mais confiável.

iG: Pesquisas apontam o senhor como o prefeito com maior popularidade nas capitais brasileiras. Quais os fatores que o senhor acha que são diferenciais para atingir este grau de popularidade, na casa de 70%? Como replicar isso, dadas as diferenças de proporção, para uma eventual administração estadual?
Beto Richa: Estive nesta semana com o vice-prefeito de Belo Horizonte (Roberto Carvalho, do PT) e ele me fez a mesma pergunta, o que há de tão diferente para que uma avaliação popular tão expressiva. A verdade é que não fiz nada de diferente, apenas o que a consciência mandou. Não ergui nenhuma obra faraônica, que seja lembrada pela sua plasticidade. Criamos um grande grupo de trabalho que segue as nossas diretrizes e fizemos uma marcante opção pela gestão democrática, mais próxima das pessoas. Fizemos quase 300 audiências públicas para elaborar as políticas, as nossas prioridades. Posso dizer que tivemos destaque em todas as áreas da administração pública, seja na educação, cujo desempenho dos nossos alunos é reconhecido como um dos melhores pelo MEC (Ministério da Educação), a Saúde melhorou, temos um programa de habitação reconhecido como um dos melhores do país pela própria Caixa Econômica Federal. Podemos levar essas boas práticas de governança para todo o Estado.

iG: O senhor foi reeleito prefeito em 2008, em primeiro turno, e deixa agora o cargo. O eleitor não pode achar uma quebra de contrato sua saída? Não deixa para trás promessas não cumpridas?
Beto Richa: O que não conseguimos concluir está caminhando. Para demonstrar que o segundo mandato seria tão bom quanto o primeiro, para buscar o profissionalismo da gestão, lançamos mão de uma ferramenta de gestão que foi o fato de secretários assumirem compromissos, que são acompanhados regularmente. O secretário sabe que, se não atingir a meta estabelecida, será desligado. No ano passado, primeiro ano que estabelecemos isso, tivemos índice de 90% de metas alcançadas. Avançamos em outras áreas, como na criação de vagas de qualidade em creches públicas. Iniciamos a urbanização da linha verde, a rodovia federal que corta a cidade. O que não foi concluído, está progredindo.
Fico tranqüilo por este lado. Temos um grande desafio e isso me motiva. Além disso, há um dado que me deixa com a consciência em paz: dos meus eleitores, cerca de 80% gostariam de me ver na disputa eleitoral pelo governo de Estado neste ano. Então, entendo que estou liberado pela população.

iG: A sua campanha será de coalizão ou de oposição à gestão de Roberto Requião (PMDB)?
Beto Richa: Será diferente. Não vou ficar olhando para trás, não vou depreciar o que for feito, mas propor alternativas para os problemas que atingem o cidadão do Estado, como Saúde e Segurança Pública.

iG: Outros administradores, mesmo da oposição, costumam tecer elogios ao presidente Lula, principalmente no que tange a distribuição de recursos e parcerias. Como é a sua relação com o presidente?
Beto Richa: Estive diversas vezes com o presidente Lula. No trato pessoal, ele é sempre muito agradável. No campo administrativo, fizemos boas parcerias. Mas na minha porta nunca ninguém veio bater para oferecer recurso a fundo perdido. Todos os financiamentos de programas federais que conseguimos tivemos que buscar em Brasília, não nos foi oferecido.

iG: Vamos falar de duas das principais bandeiras que devem ser usadas pela candidata Dilma Rousseff: o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e o Bolsa-Família. Qual deve ser a postura dos tucanos para lidar com esses programas, que têm nítido apoio popular?
Beto Richa: Eles se aproveitam bem destes programas que tem sido assistencialistas, paternalistas, para obter votos. Verdade que foram criados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, mas com a preocupação da contrapartida, que se perdeu pelo tempo. Creio que estes programas sociais devem ter a preocupação da emancipação destas famílias.

iG: Prefeito, o senhor teve seu nome envolvido em casos recentes de suspeita de caixa dois de campanha eleitoral. O senhor se defendeu dizendo que não tinha responsabilidade sobre os fatos. Esse é o discurso utilizado pelo PT no caso do mensalão, por exemplo. O eleitor não pode achar que no final os desmentidos não têm o mesmo valor?
Beto Richa: No meu caso, fui absolvido por 7 votos a 0. Foi uma armação para me atingir, para atingir minha honra. Não precisava lançar mão deste recurso (distribuição de recursos não-contabilizados a aliados) na eleição e mesmo que precisasse não o faria. Ficou muito evidente que fui vítima de uma armação, de setores contrários à possibilidade de eu vir a ser governador do Estado, mas tudo foi esclarecido pela Justiça. Diferentemente do caso do PT, onde os envolvidos do mensalão foram denunciados. Não faz o menor sentido a comparação.

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