Um dia depois das críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mostrou inconformismo com a decisão da cúpula petista de vetar a coligação com o PSDB em Belo Horizonte, o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), recorreu hoje a uma célebre frase do filósofo espanhol José Ortega Y Gasset (1883-1955) para encerrar a polêmica. Eu sou eu e minhas circunstâncias e o presidente é ele e suas circunstâncias.

A gente pode aproximar as circunstâncias, mas nem sempre é possível", afirmou.

Na avaliação de Berzoini, não foi possível fechar aliança formal com o PSDB para a eleição à Prefeitura de Belo Horizonte porque o partido estava "conflagrado" na capital mineira. O comando petista foi informado, porém, que o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), subirá no palanque do candidato do PSB, Márcio Lacerda, seu ex-secretário de Desenvolvimento Econômico. Aécio não poderá gravar programas de TV em apoio à chapa, que tem como vice o deputado estadual Roberto Carvalho (PT), mas suas imagens no palanque serão exibidas pelo PSB no horário eleitoral.

Apesar de ter garantido que não participaria da campanha de candidatos em cidades onde a base aliada estivesse dividida, Lula prometeu abrir uma exceção em Belo Horizonte. Para arrepio dos petistas mais ortodoxos, alegou ser importante assegurar a "continuidade" do projeto desenvolvido por Aécio e pelo prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT).

"Embora não cumpra a premissa que estabeleceu, não há qualquer impedimento para que o presidente participe das campanhas", disse Berzoini, jogando água na fervura. "Nós, por exemplo, vamos defender que ele vá ao máximo de cidades." Na prática, porém, os articuladores políticos do Planalto já aconselharam Lula a não aparecer abraçado a candidatos frágeis, mesmo que sejam do PT, nem a entrar em bola dividida quando esse apoio causar problemas na base de sustentação do Congresso.

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