Berzoini admite apoio do PT a Ciro para o governo de São Paulo

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, admitiu nesta sexta-feira a possibilidade de o partido apoiar uma eventual candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB) ao governo de São Paulo em 2010. Na tarde desta sexta-feira, Ciro transfere seu domicílio eleitoral para o Estado, abrindo a hipótese de lançar-se a governador.

Agência Estado |

Apesar da transferência, Ciro tem deixado clara sua pretensão de concorrer à Presidência nas próximas eleições.

"Há espaço para Ciro ser candidato em São Paulo com o apoio do PT", afirmou Berzoini, após participar, na Câmara Municipal, da cerimônia de filiação ao PT do empresário Ivo Rosset e da psicanalista Eleonora Rosset. "O PT é um partido democrático, onde os caciques não impõem à base nenhuma decisão. Pelo debate sobre o futuro do Brasil, há espaço para construir isso no PT."

Apesar da disposição de Berzoini, o PT estadual trabalha prioritariamente com uma candidatura própria ao governo paulista. Para o presidente do PT-SP, Edinho Silva, a decisão de Ciro de transferir o título mostra a necessidade de "diálogo". "A possibilidade de Ciro concorrer ao governo era uma especulação. Hoje é real, concreta", disse o líder. "A decisão dele formaliza que o PT tem de dialogar com o PSB de uma forma efetiva."

Edinho sugeriu que Ciro saia como vice da ministra Dilma Rousseff, possível candidata do PT à Presidência. "A prioridade é construir a vice-presidência com o PMDB, mas não se pode descartar uma liderança como Ciro Gomes."

Nome forte para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes pelo PT, o deputado federal Antonio Palocci esforçou-se em mostrar cordialidade diante da decisão de Ciro. "Como liderança política e como companheiro nosso, Ciro é muito bem-vindo ao debate em São Paulo", disse. "Ele vai ser muito considerado por nós."

Sobre sua própria candidatura, no entanto, Palocci esquivou-se de falar. "Não tenho nada a esconder, mas a discussão não se coloca agora", afirmou. "Primeiro decidiremos o cenário nacional, depois os Estados."

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy - também sondada para concorrer ao governo estadual - evitou fazer prognósticos sobre o destino de Ciro. "O cenário é muito nublado, não temos de fazer análises precipitadas." A respeito da hipótese de concorrer ao Executivo paulista, Marta disse não estar entre suas preferências. "Governo não é a minha prioridade. Vou ser candidata em 2010, mas estou na campanha por Palocci em São Paulo."

Palocci e Marta foram, cada um a seu tempo, saudados com gritos de "governador" e "governadora" por pessoas da plateia, formada por mais de 300 pessoas.

Filiação

A entrada no PT do presidente da Valisère, Ivo Rosset, e de sua esposa, Eleonora, foi festejada com pompa no Salão Nobre da Câmara Municipal. Lideranças do PT nos níveis nacional, estadual e municipal prestigiaram a cerimônia, capitaneada por Marta Suplicy, amiga do casal. Os recém filiados negaram a intenção de se candidatarem a cargos eletivos, mas mostraram grande disposição para apoiar em 2010 a provável candidata petista, Dilma Rousseff.

Rosset foi o primeiro empresário a fazer campanha abertamente pela candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. "O primeiro apoio a gente nunca esquece", brincou, em referência à clássica propaganda de sutiã da Valisère que dizia que "o primeiro sutiã a gente nunca esquece".

O líder do PT na Assembleia Legislativa, deputado Rui Falcão, aproveitou a oportunidade para alfinetar o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. O empresário filiou-se nesta semana ao PSB, após sondagens a vários partidos. "Hoje há na nossa cidade e no nosso Estado empresários à procura de partidos, já o Ivo fez essa decisão há muitos anos e agora a formaliza."

Marta fez coro ao colega de partido. "Enquanto alguns empresários ficaram ciscando em diferentes partidos, o Ivo não foi bater em qualquer porta, foi no partido no qual ele acreditava há bastante tempo", disse a ex-ministra. "Isso mostra, diferentemente dos outros, que não existe oportunismo nessa filiação."

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