Berlusconi usará todas as alternativas para o Brasil extraditar Battisti

ROMA - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou que usará todas as alternativas legais possíveis para conseguir fazer com que o Brasil extradite ao ex-ativista Cesare Battisti, condenado na Itália à prisão perpétua por quatro assassinatos.

EFE |

    AP
    Battisti foi condenado à prisão perpétua

    Battisti foi condenado
    à prisão perpétua

    Em uma nota divulgada nesta sexta, Berlusconi afirma que o caso Battisti, ao qual o governo brasileiro concedeu o status de refugiado político, não deve prejudicar as "excelentes e amistosas" relações bilaterais entre Itália e Brasil em nenhum setor de interesse recíproco.

    "É necessário que a questão continue se desenvolvendo em seu seio natural, o jurídico, onde a Itália não deixará de tentar nada para obter a extradição de Battisti para nosso país", declarou o primeiro-ministro.

    "É de fato bem conhecido que estes dias o governo realize todos os passos possíveis e necessários para tal finalidade, também através, e como último recurso, da apresentação de um recurso para o Tribunal Supremo brasileiro, do qual esperamos com confiança o êxito", conclui.

    Estas declarações chegam após o Supremo Tribunal Federal - que deve agora se pronunciar sobre a concessão do status de refugiado político a Battisti - abrir nesta quinta um prazo de cinco dias para a Itália se manifestar sobre o assunto.

    O clima entre os dois países deteriorou-se gradualmente desde 13 de janeiro, quando o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu refúgio político a Battisti - um militante do grupo Proletários Armados para o Comunismo (PAC) condenado pela Justiça italiana à prisão perpétua por atos terroristas que causaram a morte de quatro pessoas, nos anos 70. Apesar da insistência do Ministério das Relações Exteriores (conhecido pelo nome de Farnesina) e das pressões da opinião pública italiana, o presidente Lula respaldou a decisão de Tarso e pôs uma pedra sobre o caso.

    Na terça-feira, a chancelaria italiana chamou de volta seu embaixador em Brasília, Michele Valensise, para consultas - um gesto diplomático que indica o agravamento do conflito bilateral e prenuncia uma decisão mais séria, como o rompimento das relações.

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