ROMA -O chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, manteve em sua agenda uma visita ao Brasil, apesar da crise diplomática causada pelo caso do ex-ativista Cesare Battisti, indicaram nesta sexta-feira à AFP fontes oficiais.

"A visita de Berlusconi não foi cancelada, embora ainda não haja uma data certa", informou uma fonte do gabinete presidencial.

No dia 11 de novembro, Berlusconi anunciou que visitaria o Brasil em fevereiro, respondendo a um convite feito em Roma pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O anúncio foi divulgado durante uma entrevista coletiva conjunta com Lula, realizada ao término de sua visita de cinco dias à Itália e ao Vaticano.

"O presidente Lula me convidou para ir ao Brasil, e eu vou aproveitar a ocasião para inaugurar um hospital infantil que construímos no Amazonas", afirmou Berlusconi.

Refúgio político

Devido à tensão diplomática criada entre os dois países pela concessão do status de refugiado político no Brasil a Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por homicídio, meios da imprensa italiana e brasileira chegaram a anunciar o cancelamento da viagem de Berlusconi.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, Berlusconi tentou acalmar os ânimos em torno da polêmica em seu país, onde vários ministros e personalidades políticas pedem represálias contra Brasília pela decisão.

O caso Battisti "não deve afetar as excelentes e amistosas relações entre Itália e Brasil, em todos os setores de interesse recíproco", afirma o comunicado.

"É necessário que o assunto continue se desenvolvendo em seu âmbito natural, o judicial, no qual a Itália não deixará de tentar todas as vias legais para obter a extradição de Battisti", destaca a nota de Berlusconi.

"Nos últimos dias, o governo cumpriu todos os trâmites possíveis e necessários, inclusive a apresentação de um recurso perante a Suprema Corte brasileira, em cuja resposta confiamos", conclui.


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