O ator americano Benjamin Bratt apresenta hoje no Estados Unidos seu último filme, La Mission, um drama com forte sabor latino e uma mensagem social clara que busca acabar com o tabu da homossexualidade para a comunidade hispânica.

Bratt se uniu ao seu irmão Peter, roteirista e diretor, para criar um filme no qual, explicou à Agência Efe, fica evidente o ativismo social que sua mãe, uma imigrante peruana, deixou como legado e com o qual deseja chegar ao coração da comunidade latina tratando de temas delicados como a homossexualidade e a violência.

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Benjamin Bratt em "La Mission"

"A homossexualidade é um tabu enorme na comunidade latina", disse o ator em Nova York, onde promove "La Mission". Bratt dá vida a Che, um mexicano muito católico que vive nos Estados Unidos e descobre que seu filho Jess (Jermy Ray Valdez) é gay.

O ator, nascido e criado em São Francisco, onde se passa o filme, enfrenta, segundo afirmou, o papel "mais difícil" de sua carreira, devido a personalidade violenta de seu personagem, um homem que tem que lutar contra a violência e a homofobia que marcaram sua vida para evitar perder seu filho para sempre.

"É um personagem que tem muitos ângulos, alguns dos quais o tornam até repulsivo, mas que finalmente vai mostrando sua humanidade. Normalmente os filmes americanos que retratam um latino deste tipo jamais mostraram sua parte sensível, e por isso este é diferente", explicou.

"A reação de Che é extremamente violenta. Ele lida com a vida mediante a intimidação e a violência, e assim é que reage perante algo que acredita que é humilhante para sua família e que põe em risco sua própria masculinidade perante", explicou Bratt, que também produz o filme de forma independente.

A mensagem chave é, segundo o ator, que "o maior tesouro que os latinos tem é o amor incondicional que sentem por sua família", algo que emana ao longo do filme e que faz com que Che inicie "uma viagem espiritual de salvação para mudar e poder recuperar um filho que maltratou por ser gay".

Esse "amor familiar" é um dos valores que o próprio artista assegura que transmite à família que formou junto à atriz de origem porto-riquenha Talisa Soto, que também aparece no "La Mission", e com quem tem dois filhos.

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Filme aborda o "amor familiar" e a masculinidade dos latinos nos EUA


"Se meus dois filhos viessem a me dizer que são gays um dia, os apoiaria em tudo o que pudesse, porque os amo sobre todas as coisas", afirmou Bratt, que ressaltou que respeitará "qualquer escolha que eles tomem enquanto forem bons consigo mesmos e com os demais".

Peter Bratt indicou, por sua vez, que ao escrever o roteiro quis aprofundar o sentido que tem "a violência e a masculinidade" dentro da comunidade latina, e desafiar assim "a ideia do que é um homem e das qualidades masculinas que temos, porque o amor, ao que se associa mais como algo feminino, também está dentro de nós".

Com um orçamento de US$ 2,4 milhões "La Mission" foi rodada em apenas 26 dias, é o segundo filme em que Benjamin e Peter Bratt trabalham juntos, mas se trata do primeiro título que produzem com uma companhia que criaram juntos, a 5 Stick++ Films, com a qual pretendem fazer "filmes com consciência social".

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