Beltrame quer agilidade e mais policiais na rua com troca na PM

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A troca no comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro, anunciada nesta terça-feira, visa a dar mais agilidade à instituição, afirmou o secretário de Segurança Pública, Mariano Beltrame, um dia depois de o Ministério Público ter oferecido denúncia contra 30 policiais acusados de executar ao menos 20 jovens. O secretário negou que a substituição do coronel Gilson Pitta pelo coronel Mário Sérgio Duarte tenha sido motivada pela denúncia do MP.

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"O MP está fazendo o seu papel e vai ter todo o apoio da PM", disse Beltrame. "Não há motivo específico para a mudança. Queremos avanços na PM e mais velocidade na instituição", afirmou a jornalistas, após confirmar o nome do novo comandante da corporação. O coronel Duarte assume o posto que era ocupado há 17 meses pelo coronel Gilson Pitta.

Essa foi a segunda mudança promovida por Beltrame na cúpula da polícia do Rio desde o início do ano.

O secretário espera que com a troca a polícia do Rio possa acelerar o processo de mudança idealizado pelo governo do Estado. Entre as principais medidas está a redução no número de policiais em funções burocráticas, os chamados "aquartelados".

"Precisamos de mais gente na rua, mais visibilidade que é o que a população deseja", disse.

Segundo fontes, a saída de Pitta teria sido acelerada por uma série de escândalos envolvendo a corporação.

Na denúncia oferecida, o Ministério Público alega que os mortos eram jovens e a maioria não tinha antecedente criminal.

Segundo o MP, que pediu a prisão dos PMs acusados de matar e depois registrar os casos em autos de resistência, quando se alega ter agido em legítima defesa durante operações para combater criminosos, de 20 mortes investigadas em 2007 e 2008. Apenas duas das vítimas tinham passagem pela polícia.

O novo comandante da PM era diretor do Instituto de Segurança Pública (IPS) e já comandou o Bope.

"Ele é uma pessoa com liderança, bom trânsito e tem uma liderança na instituição. Temos metas e não podemos esperar", disse.

Beltrame já havia trocado o chefe da Polícia Civil do Rio. O delegado Allan Turnowski assumiu o lugar de Gilberto Ribeiro no primeiro semestre.

"Os dois têm um perfil parecido. Allan tem um plano e está colocando em prática. Nunca se viu a polícia do Rio trabalhando com métodos e planejamento", disse o secretário. "Pensamos numa polícia para daqui a 10, 15 anos. Talvez não possa colher os frutos, mas queremos fazer isso."

Segundo Beltrame, assim como Turnowski, Duarte tem um planejamento para a polícia para o médio e longo prazos.

Pitta era visto pela área de Segurança Pública do Estado como um oficial resistente a algumas mudanças propostas pelo secretário.

(Por Rodrigo Viga Gaier, com reportagem de Stuart Grudgings)

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