Beltrame diz que falta preparo para Exército atuar na segurança

RIO DE JANEIRO - O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou nesta segunda-feira que o episódio envolvendo militares na morte de três jovens no Morro da Providência comprova que o Exército não está preparado para atuar na Segurança Pública. Detidos por militares, eles foram entregues a traficantes do Morro da Mineira, de uma facção rival.

Agência Estado |

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
"Se a Polícia Militar, que vive esse problema diuturnamente há 200 anos, tem suas mazelas, uma corporação que começou a fazer isso há pouco tempo já incorrer num problema desses é uma demonstração disso", afirmou Beltrame. "É, no mínimo, um momento de retomar uma série de conceitos, rever muitas coisas", disse.

Na tarde desta segunda, cerca de 200 moradores do Morro da Providência entraram em confronto com soldados do Exército durante um protesto em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML), no centro do Rio, nas proximidades da Central do Brasil.

Solução milagrosa

Para Beltrame, o episódio mostra que a solução para a redução da criminalidade está no fortalecimento das polícias, e não no emprego das Forças Armadas como uma solução milagrosa. Para ele, a melhor contribuição do Exército seria o fornecimento de equipamentos, não de soldados. "Nós precisamos de logística, de equipamentos. Ninguém melhor do que as polícias Civil e Militar para lidar com os problemas costumeiros que nós temos aqui", afirmou Beltrame.

O secretário já havia criticado o projeto Cimento Social - que está sendo empreendido na Providência pelo Exército a partir de um projeto do senador Marcelo Crivella (PRB), pré-candidato a prefeito - quando esteve na Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados, em Brasília, em maio.

Ele questionou a falta de clareza do objetivo da obra e a permanência do Exército na favela. Beltrame sempre resistiu ao emprego das Forças Armadas no patrulhamento ostensivo de ruas e de favelas dominadas pelo tráfico de drogas, mesmo quando essa hipótese chegou a ser levada pelo governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), ao governo federal.

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