Beltrame ameaça não passar dados à CPI das Milícias

O secretário de Estado de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou hoje que não terá mais condições de repassar informações à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), se não houver compromisso com o sigilo. Beltrame ficou muito irritado com a divulgação pelo jornal O Estado de S.

Agência Estado |

Paulo de relatório confidencial sobre a situação das milícias no Estado, elaborado pela Subsecretaria de Inteligência de Segurança Pública (SSI) e encaminhado à CPI.

A publicação do documento abriu uma crise entre os dois órgãos: o secretário de Estado de Segurança do Rio reclamou do vazamento com o presidente da comissão, Marcelo Freixo (PSOL), que emitiu uma nota hoje, considerando "grave e inadmissível o ocorrido". "Eu não culpo a imprensa, pois acho que ela fez o seu papel. Mas isto, sem dúvida nenhuma, afeta a nossa relação com esta comissão e acho que afeta o trabalho desta comissão. Eu e o serviço de inteligência - e sou pautado por este serviço -, não trabalho desta forma e não vou pactuar com este tipo de leviandade", afirmou Beltrame. Freixo prometeu, no texto, discutir na reunião de amanhã "procedimentos mais rigorosos de recebimento, processamento e arquivamento de documentos desta natureza na CPI".

O secretário de Estado de Segurança mostrou a insatisfação, afirmando que há pessoas que estão "brincando de investigação" sem levar em conta que há vidas em risco. "Estamos lutando com todas as armas que nos são possíveis. Agora, não estamos aqui para brincadeira, para leviandade. Inteligência policial, se a comissão não sabe, é um serviço muito sério."

De acordo com Beltrame, "se não houver sigilo, se não houver garantia das conseqüências daquilo que estamos produzindo aqui há um ano e meio, o trabalho não irá à frente". "O problema é sério demais para este tipo de leviandade, de brincadeira. Isto, da minha parte, não irá mais ter a colaboração sem as garantias do sigilo das informações."

Levantamento

Ele confirmou que, segundo o levantamento da SSI, em 119 das 171 comunidades ocupadas por milícias sequer existia tráfico de drogas antes de os milicianos a ocuparem. Isso desmente a versão muito comum de que as milícias substituem os traficantes, dando proteção aos moradores do bairro ou favela. Beltrame, sem entrar em detalhes, admitiu também: "Temos milícia sem ligação com o tráfico, mas já se percebe em alguns lugares esta ligação."

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG