O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, deixou sua cela na penitenciária federal de Campo Grande convencido de que será condenado, por sete votos a zero, no julgamento a que será submetido nesta terça-feira no 1º Tribunal do Júri da capital de Mato Grosso do Sul. A informação foi dada por agentes penitenciários que fizeram a escolta do preso.

O próprio advogado de Beira-Mar, Wellington Correa da Costa, disse que seu cliente sabe das dificuldades deste julgamento, tanto que lhe recomendou apenas que fizesse o melhor que pudesse.

Beira-Mar responde à acusação de ser mandante da execução de João Morel, seu ex-aliado e ex-fornecedor de maconha, que foi morto em janeiro de 2001 na Penitenciária Estadual da capital sul-mato-grossense.

Atraso

A sessão, que começou por volta das 10h, atrasou cerca de uma hora porque os advogados de defesa - além de Costa irá atuar Luiz Gustavo Battaglin Maciel - conseguiram do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida o direito de conversar por quinze minutos em particular com o preso para prepará-lo para o interrogatório ao qual será submetido pelo magistrado.

Ao entrar no plenário, Beira-Mar pediu ao juiz que retirasse suas algemas e seu colete a prova de bala, no que foi atendido. Ele chegou ao fórum num comboio de 16 carros que foi acompanhado por um helicóptero.

Forte segurança

Para garantir a segurança da área, desde as 6h, e durante todo o julgamento, os trechos das ruas 25 de Dezembro, Barão do Rio Branco e da Paz, em frente ao prédio, estão fechados.

Apesar de o fórum manter seu funcionamento normal, somente pessoas previamente credenciadas terão acesso ao plenário do Tribunal do Júri e não será permitida a entrada no local com celulares, gravadores, câmeras fotográficas e filmadoras. Apenas os servidores não serão revistados na entrada. O restante, incluindo os advogados, serão submetidos a revista.

O edifício está totalmente cercado por homens da Força Nacional de Segurança, agentes penitenciários e pelas polícias Federal, Militar e Civil. Ao todo, são cerca de 300 homens.

Acusação

Pela acusação de homicídio qualificado - por motivos torpes e sem chance de defesa da vítima - Beira-Mar, que já tem mais de cem anos de pena em outros processos, poderá ser condenado a uma nova pena de no mínimo 12 anos e no máximo 30 anos.

Uma nova condenação na Justiça local deve dificultar as pretensões do traficante de voltar ao Rio de Janeiro - hoje ele está na Penitenciária Federal de Campo Grande. Para promotores do Estado, esse temor deve ter sido a principal motivação para a defesa tentar adiar o julgamento. O pedido foi negado na quinta-feira pelo ministro Nilson Naves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ao ser interrogado pelo juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, o traficante deverá negar a autoria intelectual do crime. Ele continuará a dizer nunca ter conhecido Morel, que, no entanto, o abrigou em Capitan Bado, no Paraguai, quando a PF fechou o cerco contra Beira-Mar em Pedro Juan Caballero, no limite com Ponta Porã, em 1999. O julgamento deve terminar nesta terça-feira.

(*com informações da Agência Estado)

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