Beira-Mar nega participação em assassinato durante julgamento no Mato Grosso do Sul

CAMPO GRANDE ¿ O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, negou, durante julgamento na manhã desta terça-feira, que tenha participado da morte de João Morel, em janeiro de 2001, na Penitenciária Estadual da capital sul-mato-grossense.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Segundo o Tribunal de Justiça, Beira-Mar confirmou que conhecia Morel porque os dois moraram na cidade de Capitan Bado, no Paraguai, no mesmo período de 1999. Porém, alegou que eles nunca foram amigos. Beira-Mar disse que Morel "mexia com contrabando de café e de cigarro", já os seus filhos "mexiam com coisa errada".

AE
Telão na 1ª Vara do Tribunal do Júri mostra o juiz interrogando Fernandinho Beira-Mar
O juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida lembrou o fato de o senador Magno Malta (PR-ES), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, ter dito que soube que Beira-Mar hospedava-se no sítio de Morel no Paraguai. O acusado rebateu no mesmo momento: "CPI hoje em dia não existe para investigar ninguém, mas para ser palco para os políticos."

Conforme o TJ, Beira-Mar confirmou ser traficante, mas disse que não tinha motivos para ordenar a morte de Morel e que não sabe quem cometeu o homicídio. Para a polícia, Morel era aliado e fornecedor de maconha de Beira-Mar, que teria sido o mandante de sua execução. 

"Homicídio, não"

Beira-Mar, segundo o Tribunal de Justiça, confessou ter ligações com o Comando Vermelho, mas negou ser líder da organização e disse que jamais respondeu na Justiça por homicídio, apenas por tráfico. 

Ele argumentou ainda que na rebelião de Bangu 1, em 2002, ajudou, inclusive, a salvar vidas de agentes penitenciários e de um líder da facção adversária.

O réu ironizou e disse também que para ser traficante "não precisa ter plantação". "No Paraguai, em qualquer esquina se consegue comprar arma, maconha, cocaína, qualquer tipo de entorpecente", afirmou.

Julgamento

O julgamento do traficante começou com mais de uma hora de atraso, por volta das 10h (horário de Brasília), no 1º Tribunal do Júri de Campo Grande. Isso porque os advogados de defesa conseguiram do juiz Almeida o direito de conversar por quinze minutos em particular com o cliente.

Ao entrar no plenário, Beira-Mar pediu que retirassem suas algemas e seu colete a prova de bala e foi atendido. Ele chegou ao fórum num comboio de 16 carros, que foi acompanhado por um helicóptero.

Fernandinho Beira-Mar foi interrogado pelo juiz Almeida, pelo Ministério Público e por seus advogados de defesa Wellington Correa da Costa e Luiz Gustavo Battaglin Maciel. Em seguida, a acusação falou por 1h30, seguido pela ráplica da defesa e pela tréplicado Ministério Público. A seguir, os jurados se reúnem para dar o verecdito.

AP
Beira-Mar, em foto de arquivo

Beira-Mar, em foto de arquivo

Beira-Mar terá seu destino decidido por cinco mulheres e dois homens, cuja média etária é de 35 anos.

Segurança

A rotina da população de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, mudou por causa do julgamento. Para garantir a segurança da área, durante todo o julgamento, os trechos das ruas 25 de Dezembro, Barão do Rio Branco e da Paz, em frente ao prédio, estão fechados.

Apesar de o fórum manter seu funcionamento normal, somente pessoas previamente credenciadas têm acesso ao plenário do Tribunal do Júri e não é permitida a entrada no local com celulares, gravadores, câmeras fotográficas e filmadoras. Apenas os servidores não são revistados na entrada. O restante, incluindo os advogados, são submetidos a revista.

O edifício está totalmente cercado por homens da Força Nacional de Segurança, agentes penitenciários e pelas polícias Federal, Militar e Civil. Ao todo, são cerca de 300 homens.

Condenações

Beira-Mar acumula mais de cem anos de prisão em decisões sem direito a recurso. Uma nova condenação na Justiça local deve dificultar as pretensões do traficante de voltar ao Rio de Janeiro - hoje ele está na Penitenciária Federal de Campo Grande. Para promotores do Estado, esse temor deve ter sido a principal motivação para a defesa tentar adiar o julgamento. O pedido foi negado na quinta-feira pelo ministro Nilson Naves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

(*com informações da Agência Estado)

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