Beira-Mar é condenado a mais 15 anos de prisão por morte de ex-comparsa

CAMPO GRANDE ¿ Após mais de nove horas, acabou o julgamento do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, no 1º Tribunal do Júri de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Beira-Mar negou as acusações, mas foi condenado a 15 anos de prisão pela morte do ex-comparsa João Morel, em janeiro de 2001, na Penitenciária Estadual da capital sul-mato-grossense.

Redação |

Sem revelar detalhes da votação, o Tribunal de Justiça decidiu que Beira-Mar foi o mandante da execução. Faziam parte do júri cinco mulheres e dois homens, com média etária de 35 anos. Beira-Mar já acumulava mais de 100 anos de prisão.

O julgamento do traficante começou com mais de uma hora de atraso, por volta das 10h (horário de Brasília), e contou com forte esquema de segurança. Durante todo o dia, o edifício ficou totalmente cercado por cerca de 300 pessoas, incluindo agentes penitenciários e homens das polícias Federal, Militar e Civil e da Força Nacional de Segurança.

AE
Telão na 1ª Vara do Tribunal do Júri mostra o juiz interrogando Fernandinho Beira-Mar

Beira-Mar chegou em um comboio de 16 carros, que foi acompanhado por um helicóptero. Assim que entrou no Tribunal, pediu que retirassem suas algemas e seu colete a prova de bala e foi atendido.

Pela manhã, foi interrogado pelo juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, pelo Ministério Público e por seus advogados de defesa Wellington Correa da Costa e Luiz Gustavo Battaglin Maciel. Conforme o TJ, ele confirmou que conhecia João Morel porque os dois moraram na cidade de Capitan Bado, no Paraguai, no mesmo período de 1999. Porém, alegou que eles nunca foram amigos.

Diante da negativa do réu, o juiz  lembrou o fato do senador Magno Malta (PR-ES), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, ter dito que soube que Beira-Mar hospedava-se no sítio de Morel no Paraguai. Beira-Mar rebateu a acusação no mesmo momento: "CPI hoje em dia não existe para investigar ninguém, mas para ser palco para os políticos."

Durante o julgamento, Beira-Mar confirmou ser traficante, mas defendeu que não tinha motivos para ordenar a morte de Morel e que não sabe quem cometeu o homicídio.

Ele confessou ter ligações com o Comando Vermelho, segundo o TJ, mas negou ser líder da organização e disse que jamais respondeu na Justiça por homicídio, apenas por tráfico. O traficante argumentou ainda que na rebelião de Bangu 1, em 2002, ajudou, inclusive, a salvar vidas de agentes penitenciários e de um líder da facção adversária.

Segurança

A rotina da população de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, mudou por causa do julgamento. Para garantir a segurança da área, trechos das ruas 25 de Dezembro, Barão do Rio Branco e da Paz, em frente ao prédio, ficaram fechados. Apesar de o fórum manter seu funcionamento normal, somente pessoas previamente credenciadas tinham acesso ao plenário do Tribunal do Júri e não foi permitida a entrada no local com celulares, gravadores, câmeras fotográficas e filmadoras. Apenas os servidores não eram revistados na entrada.

Beira-Mar nega ter ordenado a morte de ex-aliado

(*com informações da Agência Estado)

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