Beija-Flor capricha ao mostrar a história do banho

Em busca do tricampeonato, a Beija-Flor caprichou no desfile sobre a evolução da relação do homem com o banho através da história. Mostrou, como é de costume, carros alegóricos luxuosos, fantasias bem acabadas e criativas e muita organização.

Agência Estado |

Nem mesmo a tumultuada cerimônia de casamento do intérprete de seu samba, Neguinho da Beija-Flor, realizada na Sapucaí minutos antes do desfile, atrapalhou a escola. Em tratamento de um câncer no intestino descoberto e operado em julho do ano passado, Neguinho não esmoreceu: puxou o samba por toda a Sapucaí, apesar de estar fragilizado pela quimioterapia, que lhe deixou careca.

A agremiação, que teve de desenvolver seu desfile milionário sem qualquer patrocínio (tentou acordos com várias empresas de sabonete e sabão em pó, mas, por conta da crise, só levou "nãos"), levou
alegorias bem grandiosas ao Sambódromo. A começar pelo suntuoso abre-alas, que simbolizava o "Egito Antigo e o despertar do hábito de se banhar".

Cinco dos oito carros tinham efeitos com água; um deles exalava um agradável aroma para o público. Agora maior de idade, a rainha de bateria, Raíssa Oliveira, que ocupa desde os 12 anos o posto, vestiu fantasia mais ousada e brilhou com seu samba "da comunidade." "Eu já me considero uma vitoriosa por estar há tanto tempo à frente da bateria da minha escola, um lugar que cada vez mais tem sido ocupado por celebridades."

O público cantou o samba - com especial entusiasmo os versos: "Banhando o povo/ vem a Beija-Flor". E saudou Neguinho, que agradeceu as orações por sua recuperação. Diante do camarote do governo do Estado, no setor 9, onde estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chama de "amigo", e o governador Sergio Cabral (PMDB), mandou acenos e os recebeu de volta. Lula foi ao Sambódromo especialmente para acompanhar a Beija-Flor, sua escola. O mesmo fez o cantor Roberto Carlos, que se manteve discreto, na área reservada da Liga das Escolas de Samba.

A primeira-dama fez questão de descer à pista para cumprimentar Neguinho mais de perto. "Ele é meu amigo!", disse Marisa, jogando beijos para o alto do carro de som. A primeira-dama contou que "queria ter ido" à cerimônia de casamento - ela e o presidente foram chamados por Neguinho e a mulher, Elaine Reis, para serem padrinhos. No entanto, mesmo estando no Sambódromo, eles preferiram não participar. Ao fim do desfile, chorando, Neguinho declarou: "Foi o momento mais importante da minha vida."

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