BCE diz que crescimento do PIB na zona do euro sofreu queda significativa

Frankfurt (Alemanha), 14 ago (EFE).- O Banco Central Europeu (BCE) advertiu hoje que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real da zona do euro sofreu uma queda significativa no meio do ano em relação ao primeiro trimestre e classificou a inflação de preocupante.

EFE |

No boletim mensal de agosto, publicado hoje, a entidade monetária considera que este enfraquecimento reflete um arrefecimento da expansão econômica a um nível global e os efeitos dos altos preços do petróleo e dos alimentos.

O crescimento do PIB da zona do euro caiu no segundo trimestre em 0,2% em comparação ao trimestre anterior. O PIB anualizado continua em crescimento, mas em um ritmo muito menor.

Nos últimos 12 meses o PIB dos países que compartilham o euro aumentou 1,5%, 0,6 ponto percentual a menos que no primeiro trimestre.

Por exemplo, o crescimento da economia alemã caiu no segundo trimestre do ano 0,5%, o que representa a primeira queda do PIB em quatro anos.

A economia espanhola reduziu o crescimento entre abril e junho ao crescer somente 0,1% em comparação ao trimestre anterior. O crescimento anualizado ficou em 1,8%, 0,9 ponto percentual a menos que entre janeiro e março e 2,2 pontos percentuais a menos que no segundo trimestre de 2007 (4%).

O crescimento da França diminuiu 0,3% no segundo trimestre de 2008 em relação ao trimestre anterior.

"A informação disponível desde 3 de julho sugere que os números de crescimento do PIB real em meados de 2008 serão bem mais fracos que no primeiro trimestre do ano", disse o BCE no editorial do boletim.

O BCE afirmou que este enfraquecimento também representa uma reação técnica ao forte crescimento visto nos primeiros meses do ano.

O BCE manteve as taxas de juros para a zona do euro em 4,25% na semana passada e afirmou que seu objetivo é manter a estabilidade de preços.

Segundo a instituição, as famílias dos países que compartilham o euro perderão poder aquisitivo por causa dos altos preços da energia e dos alimentos.

O BCE acrescentou que é preocupante o nível de inflação atual, resultado dos efeitos diretos e indiretos grandes aumentos dos preços da energia e dos alimentos.

A inflação anualizada permaneceu em 4% em julho, a mesma taxa de junho.

Ao mesmo tempo, há indicadores de que os custos trabalhistas subiram nos últimos trimestres, enquanto o crescimento da produtividade no trabalho desacelerou, afirmou o BCE.

A entidade monetária européia ressaltou que existem riscos para a estabilidade de preços a médio prazo, algo que define como uma taxa de inflação próxima a 2%.

Em uma pesquisa publicada no boletim os analistas consultados pelo BCE revisaram em alta suas previsões de inflação para este ano e para 2009.

Os analistas previram uma taxa de inflação de 3,6% para 2008, em comparação ao 3% previsto na consulta anterior.

Este valor de 3,6% representa a categoria superior das projeções macroeconômicas do Eurossistema (3,2% a 3,6%), que é elaborada pelos analistas do banco europeu e dos bancos centrais nacionais da zona do euro semestralmente. EFE aia/fh/fal

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